As características geográficas e territoriais de Cascavel, aliadas a uma legislação complacente, são os principais fatores de uma das reclamações mais recorrentes em toda temporada de verão: os terrenos abandonados que criam animais peçonhentos, protegem marginais e sujam a cidade.
O município convive com mais de 20 mil terrenos baldios, espalhados ao longo do maior perímetro urbano do interior do Paraná, com mais de 92 quilômetros quadrados. Hoje a lei é condescendente com os especuladores imobiliários. Quem não manter seu terreno limpo, corre um único risco: pagar no próximo ano R$ 0,07 por metro pela limpeza que a prefeitura fez.
Aí reside o problema, pois o Executivo municipal não tem estrutura para limpar todos os terrenos e somente o custo de deslocamento já é maior do que o ressarcimento do ano seguinte. Para tentar amenizar o problema, o prefeito em exercício, Leonaldo Paranhos (PMDB), propôs uma parceria com associações de bairros para a realização de mutirões de limpeza.
Porém, está claro que essa atitude pode até solucionar o problema momentâneo, mas a única forma de resolver essa questão definitivamente é uma lei mais rigorosa, prevendo multas severas para quem não limpar os terrenos, ou então, descontos tributários para quem cultivar pomares, hortas ou lavoura nos terrenos baldios.
Enquanto o município não faz alterações nas leis ambientais, dois vereadores tomaram frente e por conta própria estão fazendo a limpeza dos terrenos. Eles sabem que, sozinhos, não conseguirão eliminar todo mato de Cascavel, mas estão conscientes que a parte deles perante seus eleitores está sendo feita.
O que causa certa preocupação é que a própria população, cansada de esperar, está fazendo a limpeza dos terrenos baldios vizinhos a suas casas utilizando agrotóxicos, o que pode causar danos à saúde e à própria natureza.

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