O Conselho Municipal de Apoio à Comunidade Negra de Londrina e a Associação Cultural de Capoeira Maculelê aproveitaram o aniversário de 112 anos da assinatura da Lei Áurea para realizar protestos contra a permanência da exclusão social da raça.
No Jardim Quati, zona norte da cidade, membros do Conselho distribuiram 120 litros de leite para famílias com crianças menores de cinco anos. O leite foi doado pela Confepar que arrecadou as caixinhas durante a semana de comemoração do movimento ‘‘Brasil Outros 500’’.
Segundo o presidente do Conselho, Edmundo da Silva Novais, cerca de 90% das 44 famílias do bairro são de negros, na maioria desempregados. Para amenizar as dificuldades sócio-econômicas e culturais desta população o Conselho desenvolve com eles projetos de estímulo ao aleitamento materno, planejamento familiar e atividades educativas.
‘‘Não temos nada para comemorar. Hoje é um dia de reflexão sobre a discriminação social que ainda pesa sobre os negros brasileiros. Trabalhamos pela conscientização da base para alcançar justiça para estas pessoas’’, disse Novais.
No Calçadão da Avenida Paraná, área central, 40 capoeiristas coordenados pelo mestre Fran também expressaram seu repúdio a esta situação através da linguagem corporal. Acompanhados por atabaques, berimbais e pandeiros eles cantaram a verdadeira história de libertação da escravatura utilizando criações da cultura afro-brasileira.
Em Curitiba O Instituto Cultural Afro-Brasileiro (Incab), em Curitiba, aproveitou o Dia da Abolição da Escravatura para realizar um encontro, em que se discutiu a auto-estima, cidadania e saúde das famílias negras. De acordo com a coordenadora do encontro, Sandramir Ramiro Viana, a escolha dos temas foi realizada para provocar a discussão sobre a condição dos negros na cidade. ‘‘Os negros da capital sofrem com o preconceito, porque a cidade é embranquecida, valorizando sempre o esteriótipo da pessoa de pele e olhos claros’’, disse.
De acordo com ela, os negros acabam criando uma imagem negativa, por causa da forma como eles são retratados. ‘‘Quando jovem entra na escola, ele aprende que o negro era escravo, malandro e safado’’, disse. Para ela, é difícil reverter esta visão negativa, em função da falta de cultura e renda da população negra.
Esse fator social também afeta na prevenção contra doenças. A presidente da seção Paraná da Associação Brasileira de Enfermagem, Laerte Leandro Martins, afirmou que além do problema sócio-econômico, os negros tem que enfrentar doenças causadas por fatores genéticos que afetam a raça negra – a diabete, deficiência de glicose, anemia falsiforme, hipertensão arterial e a miomatose, que afeta a saúde reprodutiva. (Colaborou Israel Reinstein, de Curitiba)

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