Legistas de Curitiba devem chegar hoje a Umuarama para exumar os corpos do vigia João Barros de Souza, 40 anos, e do bancário José Luiz de Oliveira, 38 anos, mortos a tiros dia 6 no Posto Quatro Rodas, no centro da cidade. A Polícia pediu a exumação dos corpos depois de descobrir que o funcionário do Instituto Médico-Legal (IML) Antônio Soares não retirou as balas dos corpos.
Souza foi morto com um tiro no rosto e Oliveira no coração. Soares, que está afastado do cargo, entregou à polícia outra bala como sendo a que havia matado o vigia. O delegado-adjunto Osmar Dechichi instaurou inquérito para apurar o caso e indiciou Soares por falsa perícia.
A fraude na perícia atrapalhou as investigações e obrigou Dechichi a soltar domingo à noite os dois suspeitos do crime, Marcelo Machado dos Santos, 24 anos e Fabiano Ferreira de Oliveiria, 18 anos. Santos é o principal suspeito do crime.
A Polícia aprendeu um revólver calibre 38 com dois projéteis deflagrados, vendido por Santos logo depois do crime, e precisa fazer o exame de balística para apurar se é o mesmo usado para matar Souza e Oliveira. Os peritos de Curitiba vão exumar os corpos para retirar as balas. O delegado pediu a prorrogação da prisão temporária de Santos, mas até ontem à tarde a Justiça não havia despachado o pedido.
Segundo Dechichi, a fraude foi descoberta antes que a Polícia enviasse a bala e o revólver para o exame de balística em Curitiba. O perito do Instituto de Criminalística, Dimas Castilho, achou a bala muito velha e pouco deformada para um projétil que atravessara um crânio. Pressionado, Soares acabou confessando tudo.
Ele alegou que não conseguiu encontrar os projéteis e resolveu pegar uma bala na gaveta e mentir que havia retirado da cabeça do vigia. A Polícia também quer saber porque o auxiliar fez a perícia sozinho, sem a supervisão do legista Everaldo de Azevedo. Soares alega que o legista foi chamado, mas estava doente e não pode ir ao IML.

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