Fracassou a tentativa do médico chefe do Instituto Médico-Legal de Londrina, Antonio Carlos de Queiroz, de reverter a decisão dos cinco legistas comissionados que na sexta-feira decidiram parar de trabalhar em protesto contra a demora na efetivação de suas nomeações. Eles trabalharam quatro meses sem receber. O desligamento coletivo provocou uma crise sem precedentes no órgão, culminando com o pedido de demissão anteontem de mais três legistas nomeados.
Na noite de anteontem, o grupo dos não nomeados recusou a proposta de continuar trabalhando mediante um compromisso da Secretaria de Segurança Pública de resolver rapidamente o problema. Com a decisão, o quadro do IML foi reduzido de 11 para três legistas. Um quarto médico, que trabalha como psiquiatra, também acumulará a função.
Ontem, Queiroz informou oficialmente a situação ao comando da Polícia Civil, ao Ministério Público, aos hospitais e às funerárias. Estão suspensas por tempo indeterminado a realização de exames de lesões corporais e de autópsias durante à noite e nos finais de semana. Até mesmo a liberação de corpos sem identificação está sendo agilizada para evitar o esgotamento da capacidade de recolhimento do necrotério.
A nova realidade já está gerando consequências negativas. A família do mototaxista Roberto Santana, 44 anos, morto a tiros em uma estrada rural de Rolândia, anteontem, se irritou com a demora de mais de 12 horas para a liberação do corpo, que chegou às 21 horas de anteontem e só foi examinado na manhã de ontem.

mockup