Legistas entram em greve no Estado
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 1997
Paulo Ubiratan 
Londrina
Os médicos legistas do Paraná entraram em greve ontem reivindicando melhores salários para a categoria. Segundo a Associação de Médicos Legistas do Paraná, eles estão pedindo ao governo do Estado a aprovação do Plano de Cargos e Salários para equiparação com os médicos de outras secretarias.
O Instituto Médico-Legal (IML) está subordinado à Secretaria de Segurança Pública. Conforme nota expedida pela Associação, o salário de um médico legista é de R$ 850,00, enquanto o demais médicos que trabalham no Estado ganham R$ 2.560,00.
O indicativo de greve foi decidido quinta-feira em Curitiba. Desde ontem os legistas não assinam mais os laudos, e as autópsias ficam sem conclusão, criando problemas para a confecção de inquéritos policiais e para processos já em tramitação na Justiça. Se até a próxima sexta-feira as reivindicações não forem atendidas, todos os serviços do IML no Paraná serão suspensos.
Amanhã, a maioria dos diretores regionais do IML no Paraná colocará seus cargos à disposição. A Associação dos Legistas comunicou a situação à direção do IML do Paraná, ao Ministério Público e aos delegados-chefes das subdivisões policiais de todo o Estado.
O secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse ontem à Folha que entende perfeitamente as reivindicações dos legistas e pede para que eles não radicalizem suas posições. Terça-feira fico à disposição da categoria para uma conversa franca e garanto que vamos solucionar o problema. Mas não vamos aceitar procedimentos que venham prejudicar os interesses da comunidade, afirmou.
Ele disse que não vai tratar do assunto amanhã porque tem compromisso em Porto Alegre no comando do III Exército. Em Londrina, os oito legistas, dois toxicologistas e uma odontolegista já estão em compasso de greve.
O Instituto Médico-Legal de Londrina realiza em média três autópsias por dia e oito exames periciais.


