O médico-legista Rikia Himauari, coordenador do Instituto Médico-Legal (IML) de Cascavel, disse ontem, durante seu depoimento ao delegado-adjunto da 15ª SDP, Acácio de Azevedo, que não se lembrava se tinha sido avisado sobre a doação de corpos para a Universidade Paranaense (Unipar), de Umuarama. Antes de ser interrogado, o legista afirmou que não tinha sido informado da transferência dos corpos para a universidade.
Rikia alegou que a responsabilidade pela entrada, permanência e saída dos cadáveres do IML é do auxiliar de necropsia, Pedro Soares. O legista declarou que as comunicações no IML são feitas apenas verbalmente. Por isso, não consegue se lembrar, mas tem certeza de que não estava no local no dia 13 de dezembro, data da transferência dos corpos.
O delegado adjunto, Acácio de Azevedo, disse que o legista não acredita que tenham sumido cadáveres do IML e que não sabe de funcionários que são beneficiados com a venda dos corpos de indigentes para universidades. Rikia apenas confirmou que tem conhecimento de doações para escolas superiores, mas que não existe qualquer tipo de convênio com estas instituições.
Em seu depoimento, o auxiliar de necropsia Pedro Soares disse que quatro corpos foram doados à Unipar e não seis como constava na denúncia apresentada ao Ministério Público. Soares ressaltou que todos os corpos eram provenientes de morte natural e que as notícias dando conta de que alguns deles foram vítimas de homicídio são mentirosas.
Soares acrescentou que a geladeira do IML chegou a armazenar oito corpos em dezembro e os que não foram sepultados ou doados à universidade foram entregues a familiares. Ele afirmou que o coordenador do IML tinha conhecimento da doação para a Unipar.
José Carlos Outra Sintra, que fez o transporte dos cadáveres em dois veículos de sua funerária, também foi ouvido. Ele apenas confirmou a versão de Soares e disse que recebeu R$ 360,00 da universidade pelo serviço prestado.

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