Legista diz que desempregado tinha sinais de espancamento
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segunda-feira, 22 de outubro de 2001
Telma Elorza<br> De Londrina 
A necropsia feita pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina no corpo do desempregado José Raimundo de Souza Filho, 45 anos, apontou que ele pode ter sido violentamente espancado na região abdominal, com traumatismo e hemorragia interna. O laudo final só deve ficar pronto em 30 dias, já que depende de exames complementares solicitados a Curitiba. O velório do desempregado foi interrompido, no sábado, para que o IML realizasse os exames solicitados pela família. A suspeita é de que ele possa ter sido agredido pela polícia e morrido em decorrência dos ferimentos.
Segundo o legista chefe do IML, Rogério Eisele, Souza apresentava traumatismo abdominal com hemorragia, hemorragia no tórax, fratura de costelas e rompimento de órgãos, causados provavelmente até três dias antes de sua morte. ''O que posso dizer é que os ferimentos foram provocados por pancadas violentas na região. Podem ter sido socos na barriga, pauladas, chutes ou algo do tipo'', explicou.
O médico não descarta a hipótese dos ferimentos terem sido resultado de atropelamento ou acidente. ''Mas a possibilidade é muito remota, já que não há outras lesões que caracterizem acidente deste tipo. As lesões se concentraram em uma área muito limitada. Não houve nem lesão pulmonar'', afirmou.
Segundo a família de Souza, ele havia sido preso duas vezes na última quarta-feira, em sua casa, no Jardim União da Vitória (zona leste), pela Polícia Militar. Um cunhado do desempregado teria acionado a polícia porque ele estaria agredindo o pai, paralítico, e os policiais o teriam detido para averiguações. No dia seguinte, os policiais teriam retornado à sua procura mas a família só voltou a ter notícias de Souza depois de seu falecimento, na sexta-feira, no Hospital Evangélico onde foi internado no mesmo dia, transferido do Hospital da Zona Norte (HZN).
No sábado, o delegado de plantão, Valdir Abrahão, informou que o desempregado foi levado para o HZN pelo serviço de Transporte Emergencial Centralizado (TEC). De acordo com o gerente do TEC, Carlos Henrique Santana, Souza foi recolhido na madrugada do dia 19, no terreno em frente ao Pronto Atendimento Infantil (PAI). O TEC, segundo ele, teria sido acionado pelo vigia de um posto de gasolina das vizinhanças que viu Souza caído no chão.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, informou à Folha que um inquérito militar deverá ser instalado para apurar o ocorrido.


