Legalização não garante lucro
Quem está em situação regular com a prefeitura também reclama. Os camelôs dizem que o Plano Real é um dos grandes responsáveis pela queda no faturamento. Este Real está de amargar, lamenta o camelô Luiz Renato Cavalheiro, 62 anos, vendedor ambulante desde os 13 anos de idade. Sua renda não passa de R$ 150,00 mensais. Essa fase pode passar, como também não pode, pois é ano político, lembra o trabalhador que desde 1983 tem ponto na esquina das marechais, em Curitiba.
A gente ganhava bem, mas piorou de vez quando entrou este governo, diz o camelô Jurandir Martins Travassos, 35 anos, há seis anos trabalhando na rua André de Barros. Ninguém tem mais dinheiro, avalia. As vendas limitam-se a meias e cadeados, enquanto sobram fitas cassete, CDs, cortadores de unhas e tesouras. Jurandir diz que nunca teve problemas com a fiscalização. Comigo não se incomodam porque sou deficiente diz o vendedor, que perdeu a perna esquerda num acidente de caminhão há 12 anos.
O baixo faturamento também é a queixa do camelô Enoque de Jesus, 43 anos, que tem sua barraca na Praça Carlos Gomes. As vendas estão devagar, observa. Proibido de oferecer mercadorias importadas, sob pena de multa e suspensão de 15 dias, Enoque trabalha apenas com o comércio de bolsas e carteiras. O público feminino garante as parcas vendas. Cada bolsa, por exemplo, sai entre R$ 8,00 e R$ 10,00. Nem a fiscalização parece ser problema para o vendedor. Em 15 anos de trabalho, ele disse que foi multado apenas uma vez porque os bonés que oferecia em sua banca estavam expostos de maneira irregular. Até hoje ele não entende por que foi autuado por este mero detalhe.





