Edson MazzettoDefesaPadre Sandro Cortese, responsável pela Comunicação Social da Arquidiocese de Cascavel: prestação de ‘‘valioso serviço’’Representantes de entidades interessadas no funcionamento de rádios comunitárias estão na expectativa de aprovação do projeto de lei que regulamenta a atuação destas emissoras, classificadas como clandestinas.
Uma comissão do Senado acaba de aprovar parecer favorável ao projeto, que será encaminhado para discussão em plenário.
No Oeste do Paraná, várias emissoras foram fechadas nas últimas semanas. Em Maringá (Norte do Estado), o Departamento de Telecomunicações (Dentel) e a Polícia Federal fecharam uma emissora segunda-feira.
A Comissão de Serviços de Infra-estrutura do Senado aprovou parecer do senador José Agripino (PFL-RN), favorável ao projeto de lei procedente da Câmara dos Deputados, que permite emissoras com máximo de 25 watts de potência e sem fim lucrativo.
O relator argumentou que há necessidade de ‘‘tirar da clandestinidade emissoras que já funcionam à revelia de concessão em muitas localidades’’.
Ele também destacou a missão cumprida por elas na difusão da cultura popular e das informações de interesse das pequenas comunidades.
As emissoras são geralmente ligadas a entidades comunitárias e igrejas de várias denominações. No Oeste do Estado, três das cinco rádios piratas que foram fechadas eram ligadas à Igreja Católica ou por ela apoiadas.
O padre Sandro Cortese, responsável pela Comunicação da Arquidiocese de Cascavel, defendeu ontem a autorização de funcionamento para as rádios, argumentando que elas podem prestar ‘‘valioso serviço de utilidade pública’’ e estimular ‘‘a própria organização das comunidades’’.
O religioso participou recentemente de encontro do clero em Guarapuava, quando o assunto foi discutido, e ouviu relatos de que este é um anseio das pequenas comunidades.
Cortese diz que as rádios comunitárias têm condições de abrir espaço para questões ‘‘que dificilmente são veiculadas nas grandes emissoras, que têm programação mais abrangente’’.
Por isso não concorrem comercialmente com as emissoras convencionais. Em Cascavel, a Mitra Diocesana é sócia de uma emissora regular, a Colméia.
Em Lindoeste, onde também foi fechada uma rádio comunitária, o prefeito Almir Gaspar (PDT) diz: ‘‘Tudo o que vem para desenvolver e organizar as comunidades é importante e deve ser reconhecido’’.
Segundo o prefeito, as rádios comunitárias ‘‘não são questão de interesse de grupos, mas sim do próprio povo’’. A rádio de Lindoeste, também apoiada pela Igreja, funcionava em sala da cooperativa Coara, ligada aos movimentos de defesa da reforma agrária.

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