Paulo Pegoraro

Edson MazzettoMadson Oliveira com equipamentos da rádio que funcionava no PolivalenteLei que institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária aprovada pelo Congresso Nacional e apenas aguardando a sanção do presidente da República deve resultar na instalação de grande número de emissoras no Paraná, muitas delas já operando clandestinamente e outras fechadas pelo Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel). Em Cascavel, já está sendo preparada a formação de associações comunitárias para montar as rádios, assim que houver a sanção presidencial.
A lei, originada da Câmara e que passou pelo Senado, permite emissoras com potência de 25 watts para cobrir uma comunidade, vila ou bairro. Elas devem prestar serviços de utilidade pública, promover a integração comunitária, difundir idéias, educação e cultura e garantir o direito à expressão. Qualquer pessoa da comunidade poderá reivindicar o direito de emitir opinião sobre assuntos abordados na programação da emissora.
Para o deputado federal Hermes ‘‘Frangão’’ Parcianello (PMDB), de Cascavel, as rádios comunitárias podem ser ‘‘importante instrumento democrático’’, mas devem ser mantidas sob forte controle ‘‘para que não haja o mercantilismo’’, ou seja, sua exploração com fins comerciais, prejudicando emissoras regulares.
O presidente da Associação Cascavelense de Estudantes, Madson Oliveira, já sugeriu à União Paranaense de Estudantes, da qual é secretário de imprensa, a implantação de rádios através das associações municipais. Madson relata que no Colégio Polivalente (2,1 mil alunos), de Cascavel, uma ‘‘rádio interna’’ instalada no final de 96 ‘‘cumpriu importante função orientando os alunos e conscientizando-os sobre várias questões’’.
A rádio, que parou de operar no final de 97 por problemas no equipamento, consistia basicamente em microfone, aparelho de som e caixas de som nos corredores. Para as comunitárias, os equipamentos não são muito diferentes, embora a irradiação não seja por caixas de som, mas através de torres (a altura máxima prevista é de 30 metros) e captação pelos receptores domiciliares ou de carros. O custo máximo dos equipamentos é de cerca de R$ 3 mil.
Muitos assentamentos de lavradores sem-terra têm suas rádios, mesmo ainda consideradas piratas. Em um deles, no Centro-Oeste do Estado, a rádio opera 16 horas ao dia e é líder em audiência, com música (inclusive ao vivo dos próprios lavradores), avisos e outras formas de serviço público. O Dentel fechou rádios em Santa Helena, Lindoeste, Missal, Foz do Iguaçu, Serranópolis e Braganey, Dois Vizinhos, Pinhão, Cantagalo e Curitiba.

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