Maringá - Tudo começou há uns cinco anos, quando o advogado Arnildo Angeli, 69 anos, e outros amantes dos jogos com baralhos começaram a ''matar o tempo livre'' com um carteado nos bancos da Praça Napoleão Moreira da Silva, em pleno Centro de Maringá.
Aos poucos foram chegando mais jogadores, quase todos aposentados, e a praça - que era ponto de encontro de usuários de drogas - virou lugar de descontração e lazer, tudo na base do truco e da tranca. Vendo o movimento, a prefeitura da cidade também colaborou, instalando mesas e bancos de concreto para facilitar a vida dos ''milionários'', como são conhecidos os frequentadores do lugar. Cabe a eles levar as toalhas para facilitar o deslizamento das cartas sobre as mesas. Pedrinhas servem para marcar os tentos.
''Aqui não é ponto de desocupados, mas de diversão. Eu classifico como 'lugar de espera', onde passamos o tempo entre uma atividade e outra. Eu mesmo ainda advogo'', faz questão de ressaltar Arnildo Angeli, que dividia a mesa de tranca com o empresário José de Lima, 82 anos.
''Temos a nossa organização, ninguém joga por dinheiro e fazemos um revezamento para que todos possam brincar. Brigas não acontecem por aqui. Se alguém vem com a intenção de provocar, não alcança sucesso. Eu só deixo de vir quando vou pescar'', conta Wilson Barabaz, 53, que ao se aposentar trocou as ferramentas de mecânico de avião - profissão que exerceu durante 30 anos - pelas cartas.
Nas mesas, o que predomina é o bom humor. Entre um grito e outro de truco, o que mais se escuta são risos. É o jeito divertido que essa turma encontrou para driblar o ócio que às vezes persegue quem já pendurou as chuteiras.(Wilhan Santin)

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