A Escola Municipal Zumbi dos Palmares, o antigo Caic do Jardim União da Vitória, na zona sul de Londrina, ainda guarda marcas do vandalismo. No muro, o concreto esconde o buraco aberto pelos alunos que invadiam a escola aos fins de semana para usar a quadra esportiva. O que era para ser brincadeira geralmente acabava em violência, por conta da falta de supervisão. Quase um ano após assumir a escola, a diretora Marlene Valadão Godoi garante que agora são outros tempos.
A aposta para mudar a realidade da escola foi a de acolher os alunos. O projeto Craque da Escola é umas iniciativas que contribuíram para a melhoria de resultados.
Todo sábado, os professores acompanham os alunos em atividades recreativas. Enquanto os menores fazem pinturas, os maiores jogam futebol, vôlei, handebol, andam de patins e skate. Tudo é supervisionado pelos professores e, em alguns casos, pelos pais. "O fim de semana é nosso momento de aproximar a família da vida escolar. Hoje as mães são participativas, ajudam nas atividades. Só por isso já podemos dizer que valeu a pena", avaliou. Ao abrir os portões da escola, Marlene disse que os resultados são percebidos nas salas de aula. "Antes os professores tinham que dar aulas com as portas fechadas, pois o barulho era grande. Hoje, os alunos prestam atenção nas aulas, porque respeitam o professor", comparou.
Segundo Marlene, o segredo é impor regras, mas dar carinho e opção de divertimento para as crianças. "Quando assumimos, a escola era violenta, indisciplinada. Aos poucos, fomos trabalhando um projeto pedagógico acolhedor, mas com regras", contou. Marlene se considera linha dura, mas o afeto com que as crianças a cumprimentam acaba por desmontar a imagem de durona. "Tem hora de brincar e de estudar. Quando eles estão brincando e eu falo acabou, é acabou", contou, abrindo um sorriso em meio ao semblante sério.
O motorista Aírton Nascimento Junior, de 30 anos, está contente em ter o filho Samuel, de 5 anos, matriculado na escola. "As professoras são muito dedicadas e sabem dar a liberdade na medida certa para as crianças. O Samuel gosta muito daqui", contou. A vendedora autônoma Michele de Oliveira, de 28 anos, mãe de Eduarda, de 5 anos, também elogiou a escola. "É uma escola diferenciada, você percebe o comprometimento dos funcionários."
O professor André Xavier da Silva, de 35 anos, comemorou a boa avaliação da comunidade escolar. "Antigamente a escola só saia nos jornais por conta de violência. Você nem sabe como fico feliz ao saber que conseguimos deixar tudo aquilo para trás", contou. Para ele, tudo mudou a partir do momento que o projeto pedagógico incluiu a cultura do pertencimento. "Os alunos perceberam que a escola é deles. O mínimo que a gente poderia fazer é abrir os portões para eles, uma vez que a comunidade é carente e não tem muitas opções de lazer."
Silva admite que alguns pontos ainda precisam ser melhorados, mas ele acredita que a equipe está no caminho certo. "A escola atual precisa mudar sua linguagem, precisa falar a mesma língua do aluno. Só assim, de forma dinâmica, teremos o interesse da criança." Atualmente, a Escola Zumbi dos Palmares tem 850 alunos entre 5 e 10 anos de idade, da pré-escola ao 5º ano do ensino fundamental.

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