O vice-prefeito eleito de São Jerônimo da Serra (95 quilômetros de Londrina), Manoel Rocha Rodrigues, foi preso ontem à tarde, pela Polícia Federal, junto com três lavradores. Eles são acusados de incitar a invasão de ex-posseiros à Gleba do Cedro, na reserva indígena Barão de Antonina, localizado naquele município.
Policiais federais cumpriram mandado de prisão preventiva decretada pelo juiz substituto da 2ª Vara Federal, Gilson Luiz Inácio. Nenhum dos quatro (além de Manoel Rodrigues, foram detidos Expedito Belo dos Santos, Antônio Luis Gomes e Waldemir Rodrigues de Souza) resistiu à prisão. Adenilson da Silva Cruz, conhecido como Nego Saruê, também deveria ser preso, mas não foi encontrado.
Manoel Rodrigues, conhecido como Neco Rocha, possui uma propriedade ao lado da área invadida. De acordo com a Polícia Federal, ele é acusado de acobertar os invasores, dando alimentos e abrigo aos ex-posseiros. Neco Rocha nega e afirma que não sabe por que estava sendo detido. ‘‘Eu me admirei com a prisão; não tenho nada a ver com isso.’’
Apesar de dizer que não contribuiu de nenhuma forma com os ex-posseiros, o vice-prefeito eleito confessa que pode tê-los ajudado indiretamente. ‘‘Quando alguém da Igreja Católica ou Evangélica vem pedir alguma doação, como comida, eu dou.’’ Ele diz que não resistiu à prisão, apesar de achá-la injusta, porque respeita a Justiça.
Waldemir de Souza afirma não ter ficado surpreso com a sua prisão, mas que não concorda com a decisão judicial. ‘‘O direito à terra é nosso. Sou nascido e criado lá.’’ Expedito dos Santos também acha que tem direito à área e explica que já estava trabalhando a terra. ‘‘Estou plantando arroz, milho e feijão.’’
Após assinarem o mandado judicial, os quatro acusados foram encaminhados ao 2º Distrito Policial (zona leste). O chefe da Divisão da Polícia Federal de Londrina, Roberto Morel, explica que eles não podem permanecer nas celas da PF porque não existe carcereiro. Um dos advogados dos acusados, João Luiz Perusso, vai analisar o processo para verificar se existe a possibilidade de habeas-corpus.
A Gleba do Cedro é uma área que vive constantemente em conflito. Somente neste ano aconteceram quatro invasões naquele local - a última foi em outubro e contou com a participação de 12 famílias de ex-posseiros da reserva. Na ocasião, a Justiça Federal em Londrina concedeu à Fundação Nacional do Índio (Funai) liminar de reintegração de posse.
Em maio, quando ocorreu outra invasão, a Justiça Federal também concedeu liminar de reintegração de posse. O Governo do Estado e a Funai tiveram que intervir para a retirada dos ex-posseiros, garantindo reassentá-los em outra área. As 12 famílias que atualmente ocupam a área não aceitaram o acordo.

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