Lavrador transplantado morre por complicações
O corpo do lavrador aposentado Osmar Harholk Schimidtke, 51 anos, foi enterrado ontem à tarde, no cemitério municipal de Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina). Ele havia sido submetido a um transplante renal no dia 17 de janeiro, na Santa Casa de Londrina, mas teve complicações pós-operatórias e acabou morrendo anteontem, às 16h20.
Osmar Schimidtke recebeu um dos rins do pedreiro Aparecido Oliveira Batista, 22 anos, morto ao sofrer um acidente de motocicleta no dia 14, na área central de Londrina. O pedreiro é considerado o primeiro doador de Londrina desde a entrada em vigor (dia 1º de janeiro) da lei federal que tornou todas as pessoas doadoras compulsórias. A família dele autorizou a retirada dos rins e das córneas.
Internado na Santa Casa desde o dia do transplante, o lavrador teve um período de melhora, quando chegou a sair da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Mas dois dias depois surgiram complicações pós-operatórias e ele teve que retornar à unidade. A operação foi feita pela equipe do médico Celso Fernandes.
Segundo comunicado do diretor clínico do hospital, Miguel Alves Pereira Júnior, Osmar Schimidtke faleceu em consequência de complicações originadas por aplasia de medula, broncopneumonia e insuficiência respiratória. O lavrador estava na fila de espera por um novo rim desde 1991. Ele sofria de insuficiência renal crônica causada por hipertensão arterial severa.
O outro rim do pedreiro foi transplantado no lavrador Milton Nascimento Dias, 37 anos, de Umuarama. O transplante foi realizado no hospital São Paulo, em Umuarama, e o paciente recebeu alta ontem. Segundo a médica Sandra Mara Oliver Martins, a cirurgia e a recuperação do paciente são muito boas.
Sandra Mara explica que o lavrador irá receber acompanhamento e deverá comparecer duas vezes por semana ao Instituto do Rim. Vamos ampliando este prazo na medida em que ele for melhorando. O risco de rejeição, afirma a médica, existe para o resto da vida, mas diminui conforme o tempo vai passando. Segundo ela, o primeiro ano é o ano de maior risco.
As córneas do pedreiro Aparecido Batista foram transplantadas para Tamar Lukaszewincz, 34 anos, de Arapongas, e Cláudio Prata, 46 anos, de Londrina.





