Comovidos e ao mesmo tempo indignados, familiares e amigos de Anderson Candido da Costa, 30 anos, morador do Distrito Rural Irerê (Zona Sul), estiveram reunidos na manhã de ontem para se despedir do lavrador, que morreu na manhã de segunda-feira. A morte do jovem, que deixou uma filha de 6 anos, revoltou a família, principalmente por não saberem, ao menos, o motivo do óbito. O sepultamento ocorreu ontem no Cemitério de Irerê.
''Falaram para a gente que foi dengue ou leptospirose, mas ninguém confirma isso'', comentou Marta Ribeiro dos Santos Costa, cunhada do lavrador. Segundo ela, Anderson teria começado a passar mal no último dia 26, com febre alta e queixas de dores fortes nas pernas. ''Levamos ele para o posto de saúde e falaram pra gente que poderia ser uma gripe forte. Então ele tomou soro e voltou pra casa. Mesmo assim, ele continuou passando mal, então na terça o levamos para o Hospital da Zona Sul. Lá também deram soro e ele voltou pra casa novamente'', explicou.
Uma amiga do lavrador, Rosária Santos, disse que ele e um amigo tinham passado a noite de sábado na casa dela. Por volta das 5h30 da manhã, Anderson acordou a amiga reclamando de dores e pedindo que ela chamasse uma ambulância. ''Ele estava muito mal, pediu para eu chamar a ambulância porque ele não estava aguentando de dores nas pernas. Ele também vomitava e urinava sangue'', disse Rosária.
Anderson foi levado para o Hospital da Zona Sul (HZS) novamente, onde foi atendido com sintomas de febre, dores musculares, dor intensa na panturrilha, cefaléia, vômito e dor abdominal. Devido à gravidade do quadro, uma ambulância foi providenciada para levar Anderson até o Hospital Universitário (HU). Segundo os familiares, ninguém da família pôde acompanhar o lavrador por não haver vaga na ambulância. Anderson foi levado sozinho até o HU onde, segundo familiares, teria permanecido das 16h até às 22h esperando por atendimento.
''O irmão dele chegou lá por volta das 22h. Ele contou que o Anderson já estava meio desmaiado, com os olhos fechados e passando muito mal. Com a presença dele lá, o Anderson foi internado, mas logo pela manhã já foi confirmada a morte dele. Isso é um absurdo, como podem deixar alguém que está mal ficar sozinho sem atendimento por tanto tempo?'', questionou a cunhada.
Segundo a assessoria de imprensa do HU, todos os casos emergenciais são atendidos de imediato e, neste caso, o erro pode ter sido por falta de comunicação da ambulância que deixou Anderson na frente do hospital.
O diretor-clínico do HZS, Ronaldo Paiva, explicou que após o atendimento, o jovem foi orientado a voltar para casa e retornar ao hospital no dia seguinte, quando então foi transferido para o HU. Ele também explicou que a transferência de pacientes ''sempre tem o acompanhamento'' de um familiar ou responsável.
A morte do lavrador ainda não tem causa confirmada. Ainda segundo a assessoria de imprensa do HU, nem mesmo o atestado de óbito do jovem foi liberado, pois a diretoria clínica do hospital está aguardando a análise do exame de sorologia, enviado ao Laboratório Central (Lacen) do Estado, que confirmará se Anderson estava com dengue ou não. O resultado está previsto para amanhã.
Segundo a diretora de Epidemiologia e Informações em Saúde, Simone Narciso Guarani, os sintomas apresentados pelo paciente levam a acreditar que a causa do falecimento pode ter sido leptospirose, uma doença infecciosa causada por uma bactéria. ''Não tive conhecimento de que ele tenha tido vômitos ou urinado sangue. As dores intensas nas pernas, a alteração renal e a hemorragia pulmonar fazem lembrar mais a leptospirose do que a dengue. (Colaborou Fernando Rocha Faro)

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