Lavrador engravida filha menor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de outubro de 1998
Lucinéia Parra 
O lavrador Pedro Marcílio Blandler, 48, confessou, na Delegacia de Marialva (17 quilômetros ao norte de Maringá), que estuprou a própria filha E.B., 13 anos. A menina está grávida de cinco meses e no início das investigações negava o envolvimento sexual com o pai. Blandler está preso desde sexta-feira, mas em cinco depoimentos ele negou a autoria do estupro. Anteontem, pressionado pelo filho mais velho, ele confessou que manteve quatro relações sexuais com E.B..
Eu não contei antes porque tinha muito medo, porque eu amo a minha mulher e não sabia como ela iria reagir, disse Blandler. A mulher a quem ele se refere é a atual esposa. Blandler afirmou que manteve relações com a filha pela primeira vez em fevereiro deste ano. Depois de ter se casado novamente, afirmou que não molestou mais a filha.
Foi a própria mulher de Blandler que desconfiou da gravidez de E.B.. Na escola, os professores também desconfiaram e conversaram com a menina, que a princípio disse que o filho era de um ex-namorado. Depois ela mudou a versão e disse que o filho era do irmão mais velho, de 17 anos.
No último depoimento prestado anteontem, na delegacia de Marialva, E.B. disse que havia mentido a pedido do pai que a ameaçava e pedia para ela não contar a verdade. Eu não ameacei ninguém, discordou Blandler ontem. Segundo ele, as relações sexuais que manteve com a filha nunca foram forçadas. Eu não sei explicar o que acontecia. Só sei que depois eu me arrependia e corria dela (da filha) porque não conseguia nem olhar para ela, revelou.
A primeira mulher do lavrador faleceu em janeiro deste ano, deixando com ele a filha E.B. e um filho de 10 anos. Os outros filhos do casal já não moravam com os pais. Durante a investigação policial, a filha mais velha de Blandler, D.B., 25 anos, afirmou que foi estuprada pelo pai há 14 anos. O filho do lavrador, C.B., hoje com 30 anos, confirmou o relato da irmã, dizendo que viu, naquela época, o pai sobre a irmã.
Blandler não desmentiu totalmente a versão, mas afirmou que não chegou a manter relações sexuais com D.B.. Eu só tentei, mas não pratiquei sexo com ela. Na época, D.B. tinha 11 anos. Ele afirmou que a ex-esposa sabia do assédio sobre a filha. Ela sabia mas nunca fez nada porque eu era o único que trabalhava em casa, disse.
O inquérito policial já foi concluído e está no Fórum de Marialva. A garota E.B. continua morando com a atual mulher de Blandler. Diante dos riscos de má formação do feto, a juíza Mônica Fleuth Lemuch orientou o Conselho Tutelar da Criança e Adolescente a encaminhar E.B. para exame pré-natal.


