Lavrador é indiciado por estupro de filha deficiente
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quinta-feira, 03 de outubro de 2002
Renê Muller<br> Reportagem Local 
Arapoti - O lavrador G.J.S., 72 anos, foi indiciado pela Polícia Civil de Arapoti (149 km ao sul de Jacarezinho) por estupro. Um fato, porém, aumentou a repercussão do caso, e comove a população de Arapoti: a vítima foi uma das filhas do lavrador, e o possível estupro teve como resultado o nascimento de uma menina. A criança tem hoje nove meses. Está sendo mantida pelo Conselho Tutelar na Casa de Passagem do Município, e será encaminhada para adoção.
A mãe da criança, E.J.S., 29 anos, é portadora de deficiência e frequenta a Associação de Pais e Amigos de Excepcionais. A denúncia foi encaminhada ao Conselho Tutelar, e repassada ao Ministério Público, que pediu um exame de DNA. O laudo do exame, realizado em Belo Horizonte (MG) confirmou que G. é o pai da criança que sua filha deu à luz.
O delegado de Arapoti, Mariano Petrunkon, diz que G. confessou ter mantido relações sexuais com a filha. De acordo com o depoimento dado à polícia, o lavrador disse que estava deitado com a esposa. Durante a noite, a filha do casal entrou no quarto e deitou-se na mesma cama. ''Ele pensou que era a mulher que estava ali e começou a bolinar a filha, mas diz que não forçou em nada a relação'', relata o delegado.
Quatro meses depois, a família percebeu a gravidez e encaminhou E. para um exame. Confirmada a suspeita, G. declarou já saber que era o pai da criança. O caso só chegou ao conhecimento da família quando o Conselho Tutelar retirou o bebê da casa do lavrador, cumprindo ordem da Justiça. O delegado espera agora o laudo de sanidade mental da vítima, realizado em Curitiba. ''O laudo vai definir se ela tinha condições de discernir o ato sexual que gerou a gravidez, o que pode confirmar ou não situação de estupro'', acredita o delegado.
O inquérito foi aberto no dia 12 de agosto, após a denúncia encaminhada pelo Conselho Tutelar e pela promotora da Infância e Juventude de Arapoti, Adélia Souza Simão. O conselheiro tutelar Gilson Alves Coelho diz que tanto a filha como a mulher de G. mudaram-se da casa do pai, mas não soube precisar onde moram no momento.
A menina está sendo encaminhada a Ponta Grossa a cada 15 dias, para tratamento e exames. O objetivo é diagnosticar possíveis deficiências congênitas, visto que, além da deficiência da mãe, a criança é produto de um relacionamento consanguíneo. ''Foi detectada uma lesão pequena no cérebro dela, mas ainda não há como garantir que seja reversível'', conta o conselheiro. E. tem outro filho, com seis anos de idade, e de pai desconhecido.


