Lavrador de Irerê foi vítima de leptospirose
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terça-feira, 10 de abril de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
O agricultor Anderson Cândido Costa, morador do Distrito de Irerê, Zona Sul de Londrina, foi mesmo vítima de leptospirose. Foi o que divulgou ontem a diretora de epidemiologia da Secretaria de Saúde de Londrina, Simone Narciso, após receber o resultado do exame de sangue realizado pelo Laboratório Central do Estado (Lacen), de Curitiba.
De acordo com a diretora, o lavrador teve a forma ictérica da doença. Ele apresentou vômito, diarréia e urina com sangue, além de dores musculares, febre alta, icterícia e hemorragia pulmonar, sintomas que se confundem com o da dengue hemorrágica.
''Existem as formas anictérica e ictérica da doença. A anictérica lembra uma virose, já a ictérica pode evoluir para um estado grave, como foi o caso do agricultor.''
Ainda segundo Simone, este foi o primeiro caso de leptospirose registrado pela Secretaria este ano. Nos dois últimos anos foram registrados dez casos da doença na cidade. Em 2004 foram registrados apenas três casos, o mesmo número assinalado em 2003. ''A última morte por leptospirose em Londrina aconteceu em 1999'', recordou a diretora.
Conforme ela, os familiares do lavrador foram informados por funcionários da Unidade Básica de Saúde (UBS) de Irerê sobre as formas de prevenção da doença. ''Como é uma doença transmitida pela urina de roedores não há risco de contaminação de uma pessoa para a outra'', explicou Simone, assinalando que a ocorrência da enfermidade é mais comum na zona rural, ''principalmente em época de colheita quando uma maior quantidade de grãos fica armazenada nos sítios''.
Entre as formas de prevenção da doença, a diretora apontou uso de botas, luvas e roupas de mangas compridas pelos trabalhadores rurais, além de higienização e desratinização dos ambientes de trabalho. ''A transmissão da bactéria Leptospira interrogans se dá pelo contato da pele ou mucosas dos humanos com urina de roedores infectados.''
Negligência - Com apenas 30 anos, Anderson Costa morreu no dia 2 de abril, deixando uma filha de seis anos. Os primeiros sintomas da doença surgiram no dia 26 de março, quando ele foi levado à UBS de Irerê com febre alta fortes dores nas pernas. Diagnosticado com uma gripe forte, ele foi medicado com soro e voltou pra casa.
No dia seguinte, ainda mal, ele foi levado para o Hospital da Zona Sul, onde foi atendido com sintomas de febre, dores musculares, dor intensa na panturrilha, cefaléia, vômito e dor abdominal. Devido à gravidade do quadro, uma ambulância foi providenciada para levá-lo até o Hospital Universitário de Londrina (HU). Segundo os familiares, ninguém pôde acompanhar o lavrador por não haver vaga na ambulância.
Para a família, houve negligência dos médicos do HU no atendimento. Eles alegam que a doença não foi identificada a tempo de ele receber a medicação apropriada. Segundo Simone Narciso, que teve acesso aos diagnósticos e à medicação utilizada pelo paciente, ''a avaliação clínica está correta''.


