LAVANDERIA BRASIL
O estilo Al Capone abrir uma rede de lavanderias para mostrar atividades lícitas, escondendo o dinheiro faturado com as ilícitas instalou-se no Brasil. Como enfrentar a gangue moderna, que clica na Internet, apresenta-se com personagens e ares acima de suspeitas e causa um prejuízo terrível?
Na Chicago dos anos 30 do século passado, o artífice da reação foi o detetive Eliot Ness, do FBI. Entre nós, temos um novo pacote, costurado pelo Ministério da Justiça e Banco Central. Por enquanto, destaque para a obrigatoriedade de revelar a procedência de transações de valores a partir de R$ 100 mil, a criação de um cadastro nacional de correntistas e outras medidas através das quais, espera o Governo, seja possível controlar o fluxo de circulação de dinheiro. Assim, imagina-se, fica mais fácil de saber se os valores de certas contas seriam compatíveis com rendimentos formalmente declarados. As outras partes do plano homeopático virão depois porque a Câmara Federal escolheu a semana de 23 a 27 de junho para desengavetar 17 projetos e aprovar o que seja prioritário em termos legislativos durante uma ''Semana de Segurança''.
O controle do dinheiro procedente de práticas criminosas mostra variantes recentes, como traficantes do Rio de Janeiro fazendo investimentos em São Paulo e o chefão do crime organizado em Mato Grosso, conhecido como ''comendador'', ser o dono de um hotel de luxo na Flórida. Também é voz corrente que além de identificar tais criminosos do colarinho branco é importante recuperar o dinheiro desviado, dificuldades bem conhecidas através dos exemplos da advogada Jorgina de Freitas e o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, doutores do crime.
Como será criada uma Agência de Recuperação de Ativos, vinculada à Secretaria Nacional da Justiça, é importante consignar a opinião da ex-titular desse órgão, Elizabeth Sussekind: ''Há facilidade de rotas aéreas, caminha-se para a padronização das moedas, o euro já é um exemplo''. Mais ainda: ''Muitos advogados e especialistas em finanças não só ajudam como fazem parte dessas quadrilhas internacionais de traficantes''. A propósito, tive uma conversa de arrepiar os cabelos com um procurador da República que se debruçou sobre o Caso Banestado e sua incrível agência em Nova York. A investigação, profunda, ajuda a entender muito bem o que a ex-secretária nacional da Justiça diz. Aguarde. Elizabeth acrescenta que acordamos tarde para esse tipo de criminoso, que se apropria de milhões empunhando canetas e teclados no lugar de armas pesadas. São elegantes, porém perigosos. Por enquanto, seria bom saber como alguém com os vencimentos declarados reside em mansão, tem carro importado novo, vive realizando grandes viagens e festas deslumbrantes, como se acertasse na loteria toda semana. É a repetida história do padrão de vida incompatível com a atividade que se exerce. É preciso desmascarar certos Capones de nosso tempo.





