Curitiba - O crime de lavagem de dinheiro, que movimenta no mundo cerca de US$ 500 bilhões, foi apontado ontem –durante o Seminário Internacional de Prevenção e Repressão à Lavagem de Dinheiro e à Corrupção da Administração Pública– como sendo o principal estimulador para a prática de outros crimes, dentre os quais o terrorismo. ‘‘A lavagem de dinheiro é que financia o terrorismo e dá capital para continuidade de crimes que a antecedem, como o tráfico de armas e drogas, a corrupção pública e o sequestro’’, disse o representante da embaixada americana, Carlos Costa, integrante do Federal Bureau of Investigation (FBI).
O seminário, que termina nesta sexta-feira, está sendo realizado no Paraná por causa da situação geográfica do Estado. ‘‘Não é segredo para ninguém que o Paraná é um Estado onde a lavagem de dinheiro está concentrada. Principalmente na região de fronteira’’, disse o especialista americano. Para prevenir esse tipo de crime, ele acredita que é necessária uma integração entre as polícias, Ministério Público e o Poder Judiciário. Não apenas de forma interna, mas no contato com as polícias de outros países. ‘‘Não dá para dizer que poderemos acabar um dia com a lavagem de dinheiro. Seria o mesmo que dizer que vamos acabar com a prostituição. Mas podemos prevenir e prender os criminosos, cooperando um com os outros’’, destacou.
Não há dados oficiais sobre lavagem de dinheiro no Paraná. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é o único órgão no Estado que fez esse tipo de levantamento, tendo como parâmetro apenas as fraudes feitas em relação ao pagamento de benefícios previdenciários. Até hoje foram verificadas 444 fraudes. Num único processo, a fraude chegou a R$ 32 milhões. Em 2001, foram 234 processos. Quinze inquéritos administrativos envolvendo funcionários da empresa foram instaurados. Cinco funcionários foram penalizados.
O furto de veículos é um dos crimes que antecedem à lavagem de dinheiro e que é considerado como preocupante pelo secretário de Estado da Segurança, José Tavares. ‘‘O Paraná é o Estado que mais se ressente com isso. A proximidade com o Paraguai dificulta a ação da polícia. Sem contar com o tráfico de armas e de drogas’’, avaliou.

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