Mauricio Della Barba
De Londrina
O lavador de carros João Batista da Silva, de 47 anos, está há mais de 3 anos lutando por uma aposentadoria por invalidez do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Silva sofre de miocardiopatia (uma doença do músculo do coração), tem a doença de Chagas e usa um marcapasso artificial. ‘‘O INSS diz que eu ainda tenho condição para trabalhar, mas não é verdade. Tentei, passei mal, gelei e quase morri’’, conta.
Silva explicou que vem tentando a aposentadoria desde que foi operado, em 1996, mas teve alta em todas as perícias realizadas pelo INSS. O lavador guarda três cartões, com mais de 20 perícias realizadas pelo Instituto. Um atestado do médico cardiologista Octávio Canesin informa que Silva é ‘‘incapaz de realizar qualquer atividade física’’. ‘‘Não me recordo muito bem do caso, pois faz tempo que atendi, porém um paciente que apresenta um quadro de miocardiopatia chagásica com a utilização de marcapasso, tem suas atividades físicas comprometidas’’, explica Canesin.
Outro exame apresentado por Silva, um ultra-som do coração, feito no Hospital Univesitário em agosto do ano passado, também atesta uma ‘‘hipertrofia do ventrículo esquerdo’’. Sem poder trabalhar, o lavador é sustentado pelo seus dois filhos.
O INSS alega que o quadro de Silva, quando foi periciado, não era motivo para a concessão do benefício. ‘‘Seguimos condutas médicas e, em novembro do ano passado, quando foi feita a última perícia em Silva, foi dado alta baseado em exames especializados na área’’, diz o médico-supervisor de grupamento médico pericial do posto do INSS do Jardim Shangri-La, Juarez Villar Pires. Segundo Pires, o quadro de Silva pode ter piorado durante o ano que se passou. ‘‘Por isso, é necessário que se faça uma nova avaliação.’’

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