Lavador acusa policiais de furto
Mauricio Della Barba
De Londrina
O lavador de carros, Elias Carvalho da Silva, de 24 anos, está acusando dois policiais militares de Londrina de terem furtado um bip e uma blusa durante uma vistoria. O fato teria ocorrido na noite do último sábado, por volta das 20h30, na Avenida Brasília (BR-369), próximo ao Jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste).
Elias da Silva e seu sobrinho Aguinaldo foram abordados pela viatura da PM quando transitavam pelo local de motocicleta. Na revista, os dois PMs constataram que os documentos da moto estavam irregulares e que a mesma deveria ser apreendida.
O lavador admitiu que, para não ter a moto presa, colocou R$ 20,00 junto com os documentos da motocicleta e fez a entrega para um dos policiais. O PM pegou o documento e foi para dentro da viatura, na tentativa de disfarçar o que fazia, relatou Silva.
Na hora da geral meu bip caiu no chão. Fui pegar e os PMs disseram que podia deixar lá, que eles mesmo pegariam, contou Silva. A revolta do lavador é que o bip era seu único meio de contato com os clientes e que o dinheiro entregue aos PMs serviria para o pagamento da mensalidade do serviço de teletexto. Estou sem dinheiro e sem clientes. Estou desesperado e não sei mais o que fazer. Preciso trabalhar, disse.
O lavador esteve na delegacia para prestar queixa, mas foi orientado a registrar a ocorrência diretamente no 5º Batalhão da Polícia Militar. De acordo com o major Manoel da Cruz Neto, que atendeu o caso, o comando da PM irá abrir uma sindicância para apurar se houve ou não a extorsão.
O denunciante não soube dizer quais eram os nomes dos policiais e nem o número da viatura. Vamos ter que investigar melhor e se for necessário, até fazer uma acareação, explicou.
Segundo o major Cruz Neto, é possível identificar os PMs pelo horário e local onde se encontrava a viatura. O lavador declarou que não conseguiu identificar os PMs pois não sabe ler. Todo policial tem o nome identificado no uniforme.
O lavador contou que deve duas mensalidades do serviço de teletexto e que não tem dinheiro para comprar outro aparelho, avaliado em R$ 150,00. Silva mora com uma irmã e mais três sobrinhos.





