Laudos eram forjados para liberação de seguro
Laudos eram forjados
para liberação de seguro
As principais denúncias de fraudes em laudos emitidos pelo IML dizem respeito a mortes por acidente de trânsito. Familiares de vítimas deste tipo de acidente têm direito de receber o seguro obrigatório (DPVAT), que gira em torno de R$ 5 mil. O esquema de irregularidade envolve funcionários do instituto e advogados que forjam documentos para requerer o DPVAT.
Há denúncias que estariam sendo forjados até três laudos de morte por acidente de trânsito diariamente no IML do Paraná, o que representa cerca de R$ 15 mil por dia, disse o deputado Ricardo Chab (PTB). Tem morte por ataque cardíaco com laudo de acidente de trânsito para alguém receber o DPVAT.
O caso de Paulo Prussak é um exemplo desse tipo de irregularidade. Na tarde de 9 de agosto de 98 deu entrada no Hospital do Trabalhador um homem com aproximadamente 40 anos que tinha sido atropelado na BR-116, próximo à Ceasa. Como o atropelado chegou morto ao hospital, seu corpo foi removido ao IML. No dia seguinte ele foi identificado como sendo Paulo Prussak.
No relatório do instituto consta que a liberação do corpo foi feita por Eugênio Ferreira Filho. O Paulo diz que não conhece esta pessoa; há informações de que alguém da família teria feito a identificação do corpo como sendo o dele, mas não tem como comprovar isto, explicou o deputado. O IML possui os documentos de Prussak.
Depois da identificação, o corpo foi liberado e enterrado na cova 39 do Cemitério Parque São Pedro, no Umbará, em Curitiba. Não houve velório. No final de 98 uma das irmãs de Paulo foi informada que ele estaria vivo. O andarilho teria sido visto no Capão Raso. Foi então que a família fez a denúncia no programa do deputado Chab. Fiquei vários meses atrás do Paulo para conseguir a prova material de que um cidadão considerado morto pelo IML estava vivo, afirmou. Agora temos que saber quem está enterrado no lugar dele.
Prussak, que não tem endereço fixo, disse que nos últimos meses esteve trabalhando como ajudante de borracharia em Piraquara. Não sei se alguém da minha família está envolvido nesse caso, mas não quero conversa com nenhum deles, disse o andarilho. Nesse caso, a seguradora desconfiou da identificação e pediu um novo laudo para liberar o DPVAT. A confirmação não foi apresentada pelo IML e ninguém mais requereu o pagamento do seguro. (E.C.)





