Laudo vai esclarecer mortes em Foz
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de outubro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
O diretor do Instituto Médico-Legal (IML) do Paraná, Francisco Moraes, disse ontem que o laudo da exumação dos corpos dos quatro rapazes mortos numa operação da Polícia Civil na Favela Monsenhor Guilherme, em Foz do Iguaçu, ficará pronto até quarta-feira. Ele garante que o laudo será determinante para elucidar se houve ou não execução.
Moraes não quis adiantar nenhum detalhe da exumação dos corpos dos adolescentes Eli de Oliveira, de 19 anos; Adenilson Dias de Matos, de 17; Arnaldo Oziel Mongelos, de 16, e Giovani Medina, de 15 anos, mortos dia 10. Os exames duraram 12 horas.
O legista disse que ainda não podia esclarecer se encontrou vestígios de pólvora nos dedos de um dos rapazes, conforme consta no primeiro laudo, assinado pelo diretor do IML de Foz do Iguaçu, Jomar Giostri. O nosso laudo, que também será assinado pelo chefe da Divisão de Interior do IML, Marcos Miranda, deve esclarecer todas as dúvidas. Algumas respostas dependem de exames complementares que vamos fazer, afirmou.
O coordenador criminal do Ministério Público do Paraná, promotor Dartagnan Abilhoa, disse que se restar alguma dúvida após a emissão do laudo do IML, será pedida a reconstituição dos fatos, incluindo as versões das famílias dos mortos, testemunhas e policiais. A principal testemunha, o adolescente A.B.R., de 16 anos, está ameaçado de morte. No seu depoimento, ele confirmou a versão das famílias das vítimas.
Ontem, o delegado responsável pela operação, Donizete Botelho, que foi afastado das funções com os policiais que participaram da ação, não quis comentar o laudo do corregedor Clóvis Galvão. O documento diz que várias regras da Polícia Civil foram infringidas e a operação foi malconduzida.
Batida A Polícia Militar esteve anteontem à noite na Favela Monsenhor Guilherme. Os policiais prenderam seis pessoas - três menores de idade - acusados de tráfico de drogas. Um dos presos é Orcelei Antunes de Matos, de 20 anos, irmão de Adenilson Dias de Matos, um dos mortos na operação da Polícia Civil.
De acordo com boletim de ocorrência da PM, os policiais foram à favela porque houve denúncia de que vizinhos teriam ouvido disparos. Além de Matos, a polícia prendeu Devair Francisco da Silva, de 20 anos; Mário Vicente dos Santos, de 21, e os menores A.F.S., de 13; J.F.S., de 17, e S.F.S., também de 17 anos.
Segundo a polícia, eles estavam com 245 gramas de maconha e 27 bolinhas de haxixe, um subproduto da maconha. Os policiais afirmam, ainda, que os rapazes estavam com 18 cartuchos de revólver calibre 38. Porém, nenhuma arma foi apreendida.


