Laudo sobre exumação deve sair na sexta-feira
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terça-feira, 28 de outubro de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
O diretor do Instituto Médico-Legal (IML) do Paraná, Francisco Moraes, disse ontem que a conclusão do laudo da exumação dos corpos dos quatro rapazes mortos pela Polícia Civil na favela Monsenhor Guilherme, em Foz do Iguaçu, sofrerá um atraso de dois dias e só ficará pronto na próxima sexta-feira. A previsão inicial era de que o laudo fosse divulgado hoje.
Moraes afirmou que não concluiu o documento porque ainda não recebeu as fotos e as fitas de vídeo gravadas durante a exumação, realizada na última quinta-feira sob seu próprio comando. Ele disse não saber o motivo do atraso do envio desse material pelo IML de Foz do Iguaçu.
O delegado-adjunto da Divisão Policial de Interior (DPI), Guido Ribeiro de Carvalho, afirmou que, após a divulgação do novo laudo do IML, o Conselho da Polícia Civil do Estado deverá se reunir e, dependendo das conclusões do documento, estipular possíveis punições para os oito policiais e o delegado Donizete Botelho, que participaram da operação que resultou na morte dos rapazes, ocorrida no dia 10. Desde quinta-feira, os policiais e o delegado foram afastados de suas funções e transferidos para serviços internos na DPI, em Curitiba.
Dos quatro mortos, três eram menores de idade: Adenilson Dias de Matos, de 17 anos; Arnaldo Oziel Mongelos, de 16 e Giovani Medina, de 15. O único maior era Eli de Oliveira, de 19 anos. Segundo a versão policial, os quatro integravam uma quadrilha de traficantes de drogas e foram mortos quando reagiram à prisão a tiros. Testemunhas e parentes dos mortos garantem que eles foram executados pelos policiais, depois de algemados. Apenas Eli de Oliveira tinha passagem pela polícia.
A exumação dos corpos foi pedida pelo Ministério Público. O objetivo era confirmar o laudo de necrópsia, elaborado pelo IML de Foz do Iguaçu. A principal conclusão desse laudo - que pode derrubar a versão policial de que os rapazes teriam reagido à prisão atirando - é de que havia vestígios de pólvora nas mãos de apenas um deles: Adenilson Dias de Matos. Outra conclusão do primeiro laudo é de que não havia marcas de algemas nos pulsos dos mortos.


