O Instituto de Criminalística divulgou ontem o laudo sobre as investigações de explosão ocorrida em setembro na Companhia Cacique de Café Solúvel, que deixou três funcionários feridos. A conclusão indica que não houve problemas operacionais por parte da empresa, e que, portanto, ela não poderá ser responsabilizada criminalmente pelo acidente, que atingiu uma das colunas extratoras da fábrica.
Segundo o perito Luciano Bucharles, os exames químicos e mecânicos demonstraram que a resistência do aço utilizado na coluna é muito superior à pressão interna a que ele é submetido. ''Possivelmente houve uma fadiga que causou o rompimento e consequentemente a explosão'', explicou o perito. Bucharles informou ainda que a manutenção periódica do equipamento estava dentro do prazo de validade. ''Os serviços de manutenção estão devidamente documentados e mostram que a quebra de resistência do material não poderia ter sido prevista.''
O perito cogitou a possibilidade da Cacique providenciar uma investigação mais detalhada sobre as causas do acidente, já que possui mais equipamentos semelhantes em operação. Procurada pela reportagem, porém, a direção da empresa não retornou às ligações.
O delegado do 3º Distrito Policial (DP) Valdir Fernandes, disse ontem à tarde que ainda não havia recebido a cópia do laudo da Criminalística, e que assim que receber irá enviá-lo ao Juizado Especial, pois não foi aberto inquérito sobre o caso. ''Como ocorreram apenas lesões corporais, só instauramos um termo circunstanciado'', esclareceu.
A explosão feriu os operários Eduardo Hilário Nascimento, Sebastião Augusto Gastaldon e Cirso Domingos Sanches, este último com mais gravidade escoriações e fraturas nas mãos. Foi o segundo acidente grave ocorrido na fábrica em menos de um ano. Em outubro do ano passado houve o rompimento de uma tubulação na fábrica, levando à morte o projetista Franklin de Oliveira Gomes, 68 anos, que fazia a manutenção dos equipamentos e foi atingido pelo vapor liberado no acidente, e Aparecido Alves, 34 anos. Outro operário, Leandro Moreira Blanco, 21, sobreviveu mas teve queimaduras de 2º e 3º graus.

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