Até sexta-feira deve estar concluído o laudo do Instituto de Criminalística (IC) sobre a morte do decorador José Furmann de Oliveira, 32 anos, anteontem à tarde no prédio que vai abrigar o supermercado Super Muffato, na avenida Duque de Caxias, área central de Londrina. Oliveira sofreu uma descarga elétrica quando trabalhava na colocação de um forro no prédio. Ele era sócio-proprietário da Interiores Cascavel Ltda e prestava serviço ao grupo Muffato.
Geraldo Gonçalves, subchefe do IC de Londrina, disse ontem que tudo o que foi levantado no local, no dia do acidente, será avaliado para saber qual foi o motivo exato da descarga elétrica. O IC quer saber se houve descuido da própria vítima - que poderia não ter tomado os cuidados mínimos para realizar o trabalho - ou, então, das próprias condições físicas da obra, que teriam fugido do controle de Oliveira e provocado a descarga elétrica.
Testemunhas que presenciaram o acidente disseram ao delegado Joaquim Antônio de Melo, do 4ª Distrito Policial, que Oliveira estava em um andaime furando o teto, para instalação do forro, quando a máquina que utilizava parou de funcionar. Ele teria então descido para verificar o problema, encontrou um fio descascado e tentou consertá-lo, sem desligar a corrente elétrica. O chão da obra também estava molhado, o que pode ter facilitado a descarga. A vítima não utilizava equipamentos de segurança, como luvas e botas de borracha.
Para o engenheiro Elsson Marcos Spigolon, gerente da Copel em Londrina, as condições relatadas pelas testemunhas no local onde está sendo feita a obra podem ter provocado o acidente. Ele disse que houve uma coincidência de situações: fio descascado, umidade e ausência de equipamento de segurança. ‘‘Em uma obra, infelizmente, é comum situações de negligência’’, observa Spigolon.
O gerente da Copel diz que a companhia tem feito um intenso trabalho de prevenção, para evitar que acidentes como o de anteontem aconteçam. Mas nem sempre os resultados são satisfatórios. Ano passado, por exemplo, em todo Paraná, foram 71 acidentes nas redes da Copel, nas zonas urbana e rural, que causaram morte de 15 pessoas e provocaram lesões graves em outras 21. Além disso, foram notificados 151 acidentes em redes internas, como o do Muffato.
Em Londrina, o último acidente elétrico com morte, em rede interna, aconteceu em setembro do ano passado, quando Amilton Garcia da Silva, 25 anos, morreu eletrocutado enquanto fazia a limpeza da cozinha do Restaurante Rodeio, no centro de Londrina. Ele recebeu uma descarga elétrica do forno da cozinha durante o trabalho e morreu na hora.
O mais comum, no entanto, são acidentes nas redes da Copel, quando há contato do trabalhador com a fiação da rua. Poda de árvore, instalação de antena de televisão e criança soltando papagaio, sempre perto de fios da rede pública, provacam os acidentes mais clássicos. ‘‘A energia é perigosa e tem que ser usada com muita atenção. E o risco está escondido, você não vê. O choque acontece quando menos espera. Por isso é preciso ter cuidade’’, afirma Spigolon.

mockup