O laudo de necrópsia realizado pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Foz do Iguaçu nos corpos dos quatro rapazes mortos pela Polícia Civil, na última sexta-feira, na favela Monsenhor Guilherme, região central da cidade, indica que apenas um deles pode ter atirado contra os policiais. Segundo a versão da Polícia, eles reagiram à prisão e foram mortos quando tentavam fugir, atirando contra os policiais.
O laudo, assinado pelo médico legista Jomar Giostri foi entregue no final da tarde de anteontem aos promotores responsáveis pela investigação, Ourival Santos Filho, José Geraldo Gonçalves e Michele Rocio Zardo. De acordo com o documento, somente foram encontrados vestígios de pólvora na mão direita de Adenilson Dias Matos, de 17 anos. Mas o laudo não determina se o rapaz atirou durante confronto com os policiais ou não.
Segundo Giostri, os quatro rapazes foram atingidos, em média, por quatro a cinco tiros na cabeça e no corpo. O único a apresentar apenas um tiro foi Arnaldo Oziel Mongelos, de 16 anos. Ainda de acordo com o médico, não havia pólvora nos ferimentos provocados pelos tiros, o que indica que os disparos foram feitos a mais de 50 centímetros de distância.
Sobre a versão de testemunhas, de que os garotos estariam algemados no momento dos disparos, o laudo afirma que não havia marcas de algemas nos pulsos de nenhum dos rapazes. Segundo o médico, dois dos corpos apresentavam escoriações recentes, que provavelmente foram originadas no dia da morte.
Giostri declarou que o laudo foi elaborado ‘‘com o maior cuidado técnico possível e sem nenhuma interferência da Polícia Civil’’. ‘‘Entreguei aos promotores um laudo completo e isento’’, disse. O médico legista também sugeriu aos promotores responsáveis pelo caso que, se houver alguma dúvida, seja feita a exumação dos corpos. Nesse caso, o responsável por um eventual segundo laudo seria o diretor do IML de Curitiba.

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