A intensidade do choque entre os ônibus foi tão grande que comprometeu a avaliação dos veículos. Segundo o perito do Instituto de Criminalística de Londrina, Marco Antonio Ota, os tacógrafos e sistemas de direção, iluminação e frenagem ficaram completamente destruídos. ''Nestas condições, o máximo que pode ser feito é relatar as avarias que foram muitas em ambos e supor a provável causa'', disse.
Segundo ele, o laudo poderia ser mais preciso se tivesse ido ao local após o acidente. ''Mas deslocamento do plantonista está proibido para longas distâncias devido ao índice de violência em Londrina. No entanto, isso não impede que, no decorrer do inquérito, sejamos requisitados para fazer outros testes como, por exemplo, cálculo aproximado da velocidade'', explicou. Ota disse que notou também o desgaste dos seis pneus de um dos ônibus, sem revelar, no entanto, a qual empresa pertencia.
A perícia foi realizada, no início da tarde de ontem, na sede da Polícia Rodoviária de Ibiporã e, de acordo com Ota, o laudo será concluído entre uma e duas semanas. O inquérito será coordenado pelo delegado de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), Ivan Bianchini, pois o acidente ocorreu nos limites de seu município (no KM 118 da BR-369). Segundo ele, os proprietários dos ônibus já podem requisitar a liberação dos veículos que, conforme a 2 Companhia da Polícia Rodoviária, estão com a documentação regularizada.
Bianchini estima que demorará mais de 30 dias para ouvir todos os envolvidos que residem em diferentes cidades da região. Com base nesses depoimentos e no laudo pericial, o delegado acredita que descobrirá quem foi o culpado. Por isso ele não pediu uma avaliação do local do acidente. ''Num caso como esse, normalmente, alguém invadiu a pista contrária e, com certeza, isso será revelado pelos passageiros'', justificou.
Para o comandante da 2º Companhia da Polícia Rodoviária, capitão Sérgio Dalben, a causa foi falha de, pelo menos, um dos motoristas. O capitão afirma que houve imprudência já que a estrada é bem sinalizada em todos os sentidos e, mesmo à noite, os veículos em condições de tráfego, conseguem enxergar os outros. 'A rotina leva muitos motoristas ao excesso de confiança que, aliada ao desrespeito à sinalização, pode provocar tragédias. Seja qual for a distância, a prudência é tão necessária quanto a obediência às leis'', frisou.
Coincidentemente, a Polícia Rodoviária Estadual começou, esta semana, a fiscalização dos veículos escolares que transitam entre municípios. Segundo Dalben, a maioria está regular. No entanto, os veículos serão checados por amostragem em todos os postos do Estado até o final do ano.
A reportagem da Folha tentou falar com os proprietários das empresas de transporte mas, até o fechamento da edição, não conseguiu contato com nenhum deles.

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