Laudo não recomenda uso do teleférico
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de dezembro de 1996
Elisa Marilia<br>Da Sucursal 
O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea) admite que o teleférico de Matinhos não pode operar antes de receber ampla reforma no projeto, na concepção e na operação do equipamento. Profissionais habilitados devem se responsabilizar pelos processos de recuperação, caso venham a acontecer, sugere o órgão.
Tanto a Prefeitura de Matinhos quanto o Ministério Público foram orientados a não conceder alvará de funcionamento sem estar a obra legalmente regularizada. O equipamento do teleférico necessita ainda de um laudo pericial emitido por engenheiro mecânico, além de um profissional responsável pela manutenção do equipamento, conclui o presidente do Crea, Orlando Strobel.
O Crea divulgou ontem a análise do processo sobre a queda do teleférico de Matinhos, em 10 de janeiro de 95, quando três pessoas morreram. O Crea constatou erro na concepção do projeto e na operação do equipamento, como causadores do acidente.
A execução do projeto do teleférico era responsabilidade do engenheiro civil Haroldo Buck e Silva, que morreu antes do término da obra. O proprietário da Teletur, David Silvério Fagundes, concluiu a execução sem a participação de profissional habilitado. David, que é gráfico, será autuado pelo exercício ilegal da profissão.
A Câmara Especializada de Engenharia Mecânica e Metalúrgica, após análise da documentação e laudos do Instituto de Crimilalística, não apontou a falta de manutenção como causa da queda do teleférico. O engenheiro mecânico responsável pela manutenção, na época, era João Antônio Domingues Moreno. O Crea concluiu pelo arquivamento do processo contra o engenheiro Moreno, considerando que o mesmo vinha fazendo as manutenções regularmente.
Há um mês a fiscalização do Crea constatou que a Teletur vem mantendo três funcionários fazendo obras no equipamento, com a intenção de reativá-lo neste verão. Uma torre está sendo substituída e as cadeirinhas sendo pintadas. A funcionária de uma lanchonete que fica na frente do teleférico confirmou as obras.
O setor de fiscalização da Prefeitura de Matinhos afirmou que não recebeu pedido para que o teleférico voltasse a funcionar. O alvará foi cassado em 95 em função do acidente e somente a Justiça de Guaratuba poderia dar autorização para que o teleférico voltasse a funcionar.


