O Instituto Médico Legal (IML) divulgou ontem o laudo da morte do detento Flávio Cruz, 25 anos, em uma coletiva marcada por contradições e perguntas sem respostas. Não foram revelados os calibres dos projéteis que mataram o preso ou qualquer informação sobre as investigações do assassinato, ocorrido dentro da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, na madrugada do dia 1º deste mês. O crime aconteceu cerca de 25 horas depois de Cruz ter sido preso sob acusação de ter matado o policial Jonathan Ferreira, do 9º Distrito Policial. A suspeitas recaem sobre a polícia.
Ao começar a entrevista, o diretor do IML, Francisco Moraes e Silva, afirmou que o detento não tinha sido espancado e havia sido morto com 12 tiros, transfixantes e não transfixantes. O tiro fatal teria atingido a testa de Cruz, embora ele tivesse outros ferimento graves na região do abdômem. Depois que a Folha teve acesso a uma cópia do laudo, deixada sobre a mesa da entrevista, Silva admitiu que 12 balas haviam ultrapassado o corpo de Cruz, mas que outras tinham atingido o corpo sem ultrapassá-lo. Somadas novamente as perfurações chegaram a, pelo menos, 15.
Conforme Silva, o laudo da necrópsia deve ser completado com o laudo do Instituto de Criminalística, que poderá definir o calibre das armas usadas. Silva disse, porém, que nenhum projétil de fuzil ou baletões de escopeta atingiram o preso. A conclusão está baseada, segundo ele, na feridas encontradas no corpo.
O diretor do Instituto de Criminalística, José Lourenço Bueno, disse que não sabe ainda o calibre das balas que mataram o detento e o número de projéteis que foram encontrados dentro da cela da delegacia, na qual Cruz foi executado.
Conforme o diretor do IML, existe grande probabilidade das balas terem saído de pistolas automáticas e semi-automáticas. Pela proximidade dos ferimentos, disse, devem ser armas de repetição (disparos em sequência).
O delegado Cláudio Fernando da Cunha Teles, assessor do gabinete do delegado-geral, Newton Rocha, não revelou informações sobre as investigações.

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