Laudo microbiológico no HU revela mãos sujas


Lucilia Okamura

Dorico da Silva
Ameaça visívelAnálise microbiológica feita após funcionários lavarem as mãos: infeccção atinge 5,82% dos pacientes do HU Das 52 amostras colhidas das mãos de profissionais e funcionários de vários setores do Hospital Universitário (HU) de Londrina, apenas uma não apresentou crescimento de microorganismos. O resultado das análises microbiológicas está sendo exibido no saguão do HU e as culturas de bactérias encontradas nas mãos podem ser vistas a olho nu.
O trabalho feito junto aos funcionários e profissionais faz parte das atividades da 3ª Semana de Controle de Infecções do HU. A coordenadora da Comissão de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH), a enfermeira Renata Belei, explica que as amostras foram colhidas na terça-feira, em vários setores, como limpeza, administração e corpo clínico.
A pessoa escolhida encostava a ponta dos dedos em uma placa de ágar sangue (meio de cultura para microorganismos). A placa foi colocada em uma estufa durante 24 horas - tempo mínimo para que as bactérias comecem a crescer. Passado este tempo, já era possível ver as bactérias e fungos existentes nas mãos.
Renata Belei observa que em apenas um caso não houve o desenvolvimento de microorganismos - essa pessoa tinha lavado as mãos corretamente. O tipo mais comum encontrado nos testes foi o estafilococo, uma bactéria considerada perigosa e que pode provocar infecções cirúrgicas. A coordenadora ressalta que os fungos não deveriam ser encontradas nas mãos, já que não fazem parte do nosso corpo. Coliformes fecais também foram notados em algumas amostras.
A coordenadora da comissão revela que alguns funcionários se espantaram como o resultado. ‘‘Por exemplo: uma secretária achou que, por trabalhar na administração, estaria protegida.’
Kellyn Baldan, técnica de laboratório do HU, observa que os resultados deste ano foram melhores que os do ano passado. Ela conta que uma maior quantidade de batérias e fungos foi encontrada em 96. Na opinião de Renata Belei, a redução deste ano pode ser um reflexo da campanha para controle de infecção hospitalar.
O resultado das culturas mostra, segundo a enfermeira, a importância da lavagem correta das mãos para evitar a transmissão de microorganismos e, consequentemente, a infecção. Renata Belei explica que é preciso esfregar bem as mãos - principalmente a ponta dos dedos e o espaço entre eles - para uma boa limpeza. ‘‘A bactéria só sai se esfregar bem, não adianta só molhar as mãos’’, observa. Ela ressalta ser importante também não esquecer de lavar os punhos.
Em abril, dos 979 pacientes atendidos no HU, 57 foram vítimas de infecção hospitalar, o que representa 5,82%. Renata Belei informa que, no caso de hospital-escola (como o HU), o máximo aceitável de infecção é de 10% do total de pacientes. A taxa no HU, segundo ela, há alguns anos, chegou a 14%.
Outra atividade desenvolvida pela comissão durante a semana foi avaliar se profissionais e estudantes estão lavando corretamente as mãos. Integrantes da comissão vendavam o olho da pessoa que, durante 15 segundos, simulava a lavagem das mãos. Em vez de sabão, a pessoa usava tinta guache, o que permitia ver com precisão onde esfregou e onde deixou de esfregar as mãos. Nos anos anteriores, o índice de lavagem correta das mãos era de apenas 12%. ‘‘Neste ano, o índice subiu para quase 20%’, diz Renata Belei.

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