Laudo incrimina acusado do assassinato
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quarta-feira, 08 de janeiro de 1997
Ivan Santos 
Da Sucursal
Albari RosaCAUTELADelegado Jaime da Luz: Dificilmente uma pessoa que tenha usado uma arma não teria esse tipo de resíduo na s mãos
Laudo do Instituto de Criminalística do Paraná apresentado ontem pela polícia confirmou a existência de partículas de nitrato, substância química usada na fabricação de pólvora, nas duas mãos do comerciante Mariano Antônio Voltolini, que é acusado de assassinar a menor Francielle de Oliveira, 10 anos, na madrugada do último dia 31, no Centro de Curitiba. Segundo o delegado Jaime Luz, que investiga o crime, o laudo, assinado pelos peritos Marcelo Malaghini e Renato Guerra, não é conclusivo, mas reforça a tese de que o comerciante foi o autor dos tiros que mataram a menina.
Dificilmente uma pessoa que tenha usado uma arma não teria esse tipo de resíduo nas mãos, disse o delegado Luz, que deve encerrar amanhã o inquérito, mas antes pretende ouvir novamente Voltolini. Cauteloso, o delegado lembra que o laudo é apenas mais um dos elementos da investigação. Os próprios peritos ressalvam que produtos como cigarro ou salame também podem liberar partículas de nitrato, alegou.
Com exceção do comerciante e de sua ex-mulher, Manoela Souza, as outras testemunhas ouvidas até agora confirmam que o tiro que matou Francielle partiu do prédio onde fica o Brechó Mundo Teatral, na Rua Visconde de Nacar, de propriedade de Voltolini. Os depoimentos também confirmam que, além do acusado, ninguém mais entrou ou saiu do imóvel antes ou depois do tiro, disse o delegado.
Desde a separação do casal, o comerciante estava morando sozinho nos dois cômodos sobre o brechó. A arma utilizada no crime não foi encontrada. Manoela Souza alega que seu ex-marido nunca teve arma. Voltolini já responde a três outros inquéritos: por sedução de menor, cárcere privado e lesões corporais.
Segundo as testemunhas, Francielle vendia doces em frente ao brechó acompanhada de outras duas meninas. Irritado com as meninas que jogavam pedras na vitrine da loja, Voltolini teria atirado contra o grupo com uma espingarda calibre 12, acertando as costas de Francielle, que morreu na hora. Ao tentar fugir do local, o comerciante foi detido por populares e motoristas de táxi revoltados com o crime, e salvo de um linchamento por policiais que o prenderam em flagrante.
Voltolini e sua ex-mulher entraram em contradição em seus depoimentos. Logo após a prisão, o comerciante alegou que estava chegando em casa quando notou a confusão formada depois que a menina foi baleada, ficou com medo e resolveu deixar o local. Sua ex-mulher disse à polícia que ele estava dentro de casa quando percebeu a multidão formada em torno de Francielle já morta e, temendo ser envolvido, decidiu afastar-se do local.


