Da Sucursal
O Instituto Nacional de Controle de Qualidade de Saúde (INCQS) ainda não tem data definida para entregar o laudo com a análise das anestesias com neocaína e marcaína, suspeitas de terem provocado surto de meningite química e quatro mortes no Paraná. O secretário estadual da Saúde em exercício, Luciano Ducci, diz que o INCQS está desenvolvendo pesquisas para concluir o laudo.
Uma comissão formada por especialistas da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) também investiga os casos de meningite química desde outubro. Mas ainda não há um laudo final.
Ducci explica que o INCQS - pertencente à Fundação Instituto Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, (Fiocruz/Rio) - está fazendo uma pesquisa para tentar detectar o que teria causado a meningite pós-cirúrgica nos pacientes que se submeteram à anestesia raquiana no início do ano passado. O Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, já analisou as anestesias e descartou a possibilidade de contaminação dos anestésicos.
Apesar de a história ter se tornado de conhecimento público no último final de semana, as mortes e os registros de meningite química já estavam circulando nas páginas da SBA na Internet desde final de outubro. Segundo o ex-presidente da SBA, Antonio Leite Oliva, que terminou o mandato em dezembro, todos os hospitais que receberam os lotes das anestesias com neocaína e marcaína foram avisados para tirar o produto de circulação por causa das suspeitas.
Em outubro, o Ministério da Saúde suspendeu em todo o País a venda dos lotes de anestesias fabricados até agosto de 1996. ‘‘Coincidentemente, não foram registrados mais casos’’, explica.
‘‘É certo que deve ter ocorrido algum problema em cascata com a técnica, que envolve além do medicamento, seringas, agulhas e o próprio profissional’’, afirma Oliva. Segundo ele, foram registrados 60 casos de meningite química pós-cirúrgica no Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul.

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