A regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Londrina divulgou ontem o resultado oficial das análises da água do Lago Igapó 2, colhidas em 24 de agosto quando houve grande mortandade de peixes. O laudo apontou o que já se sabia: o problema está associado à variação brusca de temperatura e às características urbanas do espelho d'água, que funciona como uma bacia de acúmulo de poluentes, esgoto doméstico e detergentes em geral.
O chefe regional do IAP, Ney Paulo, alertou que, se nenhuma medida for tomada com relação às ligações clandestinas de esgotamento doméstico, a má qualidade da água do lago poderá provocar novos ocorrências do tipo. Outro problema grave que precisaria ser atacado, segundo ele, é o assoreamento. Embora o IAP não tenha realizado exames nos peixes, Ney Paulo desaconselhou a pesca no local.
Mesma recomendação foi feita pelo secretário municipal do Ambiente (Sema), padre Dirceu Fumagalli. ''Tanto a Secretaria como boa parte da população sabe que não é recomendável pescar no local'', afirmou. Ele informou que técnicos da Sema fazem o monitoramento diário de toda a Bacia do Ribeirão Cambezinho, que forma os lagos Igapó. ''A perspectiva é melhorar a qualidade da água dos nossos lagos através da educação ambiental e conscientização dos empresários que investem na região'', destacou.
Ele lembrou que a exploração imobiliária nas proximidades dos lagos é crescente e muitos investidores ''ainda observam que respeitar os espaços e a questão ambiental é limitar o avanço de seu empreendimento''. ''É um problema cultural da nossa região, pois os povos que migraram para o norte do Paraná vieram com a perspectiva de explorar a região'', completou Fumagalli, lembrando que o ambiente deve ser encarado como um parceiro e não como um fator limitador do desenvolvimento. Ele adiantou que a primeira de uma série de seis pré-conferências municipais do Meio Ambiente, que terá início amanhã, a partir das 13 horas, no Auditório Alcides Bueno, na Unopar, vai enfocar justamente a discussão sobre cidade sustentável.
O gerente metropolitano da Sanepar, Sérgio Bahls, garantiu que a empresa está fazendo trabalho de casa em casa, orientando a população sobre os problemas ambientais provocados pelas ligações irregulares de esgoto. Para Behls, a poluição no Igapó é resultado direto dessa irregularidade, pois, segundo ele, 100% dos resíduos coletados na cidade são tratados.

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