Curitiba

Leandro TaquesReviravoltaAntonio Siqueira (frente): os dois revólveres que estavam com o delegado na noite do crime não foram disparadosO laudo da perícia técnica sobre a morte do delegado Jaime Gonçalves de Castro, apresentado ontem pelo Instituto de Criminalística, prova que os policiais civis mataram o delegado sem que ele houvesse reagido. A informação derruba a versão contada pelos investigadores da Polícia Civil, Paulo Roberto da Silva e Emerson Antônio Zeglin, provocando uma reviravolta no caso. Segundo o depoimento dos investigadores, o delegado Jaime Castro teria reagido a tiros à ordem dada pelos policiais para que parasse o carro. A perícia técnica, no entanto, não encontrou qualquer resíduo de pólvora nos dedos do delegado.
O resultado dos sete laudos técnicos divulgados ontem contesta também a informação de que os policiais teriam disparado apenas um tiro em direção ao carro de Castro, e não três, como ficou comprovado pela perícia. Segundo o delegado que preside o inquérito, Josmair Franco de Camargo, os laudos dão sinais claros de que a operação policial que resultou na morte do delegado foi incorreta. Agora, o delegado pretende ouvir novamente os investigadores e fazer uma nova reconstituição do crime, para esclarecer outra contradição - se houve ou não perseguição do carro de Castro, como chegou a ser afirmado pela família.
Os laudos apresentados pelo diretor do Instituto de Criminalística, Antônio Siqueira, comprovaram também que o investigador Emerson Zeglin foi o autor do disparo que matou o delegado e dos outros dois tiros, que atingiram a lateral do carro e a divisória entre as portas do motorista e do passageiro. Segundo o exame de balística, todos os tiros que atingiram o Monza dirigido pelo delegado foram dados a uma altura superior à da fechadura do carro, denotando intenção de atingir de fato o motorista. Tanto no Fiat Tipo utilizado pelos policiais quanto no local próximo à cena do crime, não foram encontradas marcas de tiro, comprovando mais uma vez que Castro não efetuou nenhum disparo. Os dois revólveres que estavam com o delegado na noite do crime também não foram disparados.
Apesar da responsabilidade comprovada dos policiais, o delegado que preside o inquérito prefere deixar de lado, pelo menos por enquanto, a hipótese de que o crime tenha sido motivado por vingança. Os filhos do delegado Jaime de Castro, que foram ouvidos nesta semana na Delegacia de Homicídios, negaram que o pai estivesse recebendo ameaças de morte, como chegou a ser divulgado logo após o assassinato do delegado. Além disso, os investigadores envolvidos no crime declararam, em seu depoimento, que nem sequer conheciam o delegado Castro.
Os policiais que participaram da morte do delegado estão recolhidos no Departamento de Recursos Humanos desde a noite do crime. Segundo o corregedor da Polícia Civil, Paulo Ernesto de Araújo Cunha, os investigadores já respondem atualmente a dois processos administrativos relacionados ao crime. Um deles diz respeito ao ato da morte do delegado, e outro sobre o uso de um veículo não oficial durante uma operação policial. Na noite do assassinato, os policiais usavam um Fiat Tipo que tinha sido apreendido pelo 8º DP, e que deveria permanecer obrigatoriamente nas dependências da delegacia.

mockup