Laudo desmente versão e policiais depõem de novo
Seis soldados da Polícia Militar suspeitos de envolvimento no assassinato dos evangélicos Samuel dos Santos e Antônio Marcos Rocha foram ouvidos ontem pelos oficiais encarregados do Inquérito Policial Militar (IPM) e pela promotora de Justiça Rosângela Gaspari. Os PMs foram convocados para novos depoimentos depois que o laudo da necrópsia feita nos cadáveres desmentiu a versão dada pelo soldado Siumar Antônio da Silva. Ele havia assumido sozinho a autoria do crime e afirmou que usou apenas uma escopeta. O laudo mostra que as vítimas receberam também tiros na cabeça, disparados por uma arma de calibre superior.
De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal, Samuel, de 17 anos, recebeu cinco tiros no corpo e um na cabeça, este disparado provavelmente de um revólver calibre 38. O corpo de Antônio Marcos, 22, também apresentava uma perfuração na cabeça e nove no restante do corpo.
As informações do laudo levantam a hipótese de que os dois jovens foram executados com tiros na cabeça depois de terem sido feridos por escopetas. Tudo leva a crer que, depois de atirar nos rapazes pensando que eram assaltantes, os policiais perceberam o engano e dispararam deliberadamente os tiros de revólver, afirma o delegado Estélio Machado, que preside o inquérito sobre o caso na Delegacia de Homicídios.
Machado esteve terça-feira no local do crime - um morro na Cidade Industrial de Curitiba, onde os evangélicos faziam orações - e disse ter feito diversos itinerários que poderiam ter sido percorridos pelos envolvidos até abandonar os cadáveres no Rio Passaúna. Uma pessoa sozinha não poderia fazer tudo, afirmou.
Segundo o responsável pelo IPM, capitão Sérgio Vendrametto, nenhum dos policiais ouvidos ontem confessou participação no crime. Três deles - além de Siumar da Silva - estão afastados de suas funções até o final das investigações. Vendrametto disse que ainda serão ouvidas mais 10 ou 15 pessoas, entre testemunhas e PMs que participaram da operação na CIC. Também deverá ser feita uma reconstituição do crime.





