A reconstituição da morte do índio guarani Vicente Cândido de Lima, 39 anos, realizada ontem pela Polícia Federal na Reserva Laranjinha, município de Santa Amélia (63 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio), deve esclarecer as principais dúvidas da PF sobre o caso e reforçar uma das versões apresentadas pelas testemunhas.

A equipe, formada por oito policiais federais de Londrina e dois peritos da Seção de Criminalística da Polícia Federal de Curitiba, chegou por volta das 11 horas à Reserva e iniciou a reconstituição a partir das 13 horas. A simulação foi realizada por oito pessoas, entre policiais militares, membros da comunidade indígena e a família da criança envolvida.

Em uma das versões apresentada pelo morador da reserva indígena, Jeferson de Abreu, o cabo Nilson dos Santos teria escorregado e, em seguida, efetuado o tiro que matou o índio. Na versão dos policiais, o disparo teria sido efetuado em ''legítima defesa'', ou seja, para salvar a vida da criança que estaria ameaçada.

O perito da PF de Curitiba, Fabiano Linhares Frehse, disse que os peritos ouviram as testemunhas e com base nas informações realizaram simulações do fato. Segundo ele, a reconstituição vai permitir uma análise da viabilidade técnica dos depoimentos. Ele acredita que o laudo deve ser emitido em até 60 dias.

A PF tomou uma série de providências para evitar tumultos durante a reconstituição. Os policiais militares envolvidos e a ex-esposa de Lima foram levados para a reserva somente na etapa final da reconstituição e, em seguida, retirados. O objetivo foi impedir qualquer retaliação da comunidade indígena. Os nomes das pessoas que participaram da reconstituição também só foram divulgados durante o trabalho para não comprometer a operação.

O delegado da Polícia Federal, Pedro Paulo Figueiredo, disse que pediu a reconstituição para esclarecer as dúvidas. Segundo ele, existem divergências que podem definir o resultado da investigação. Ele explicou que, além do laudo da reconstituição, está aguardando o laudo que define a origem dos dois projetéis encontrados no local e a manifestação do Instituto Médico-Legal (IML) de Bandeirantes sobre novas questões formuladas pela PF. Figueiredo disse que o laudo do IML identificou a existência de escoriações no pescoço da criança, mas admitiu que precisa de mais informações. ''O laudo do IML favorece os policiais, mas precisamos do resultado de todos para concluir o inquérito'', disse.

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