Laudo confirma que mancha foi rpovocada por algas
Michele Muller
de Curitiba
Uma nova análise da mancha que apareceu no litoral paranense na quinta-feira da semana passada comprovou o que os técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) já desconfiavam: o óleo foi encontrado na água foi produzido por algas. O laudo, concluído ontem, explica que o fenômeno foi ocasionado por uma floração algal.
A mancha, que tinha 40 quilômetros de extensão quando foi avistada, praticamente desapareceu. A equipe que está fazendo o monitoramento realizou, ontem, um sobrevôo no local e já não encontrou sinais de óleo. Segundo o biólogo Jackson Bassfeld, do Centro de Pesquisa e Processamento de Alimentos e do Centro de Estudos do Mar, da UFPR, a substância foi dispersa com a ajuda da frente fria, que chegou à região no último domingo.
Ela foi absorvida pelo sal da água e começou a se diluir, explica. Mesmo assim, os técnicos continuarão atentos a novas florações que poderão se formar no litoral do Paraná. Mas isso será muito difícil, diz Jackson, pois esses eventos dependem de uma série de fatores. A exagerada concentração de plantas acontece quando condições como a salinidade da água, a temperatura e a calmaria do mar tornam sua reprodução favorável.
As algas que provocaram a mancha fazem parte da espécie Trichodesmium erythraeum, que assim como 90% das existentes, são consideradas inofensivas ao ecossistema. Se o óleo tivesse sido deslocado para perto da costa, poderia ter causado pequenas irritações na pele dos banhistas.
Nem mesmo a fauna aquática sofreria danos se houvesse contato com a substância, que permaneceu, durante todo o tempo, a uma distância de no mínimo 100 quilômetros da beira-mar. Se fosse uma espécie tóxica, poderia haver prejuízos. Mas a tendência dos peixes é se afastarem dessa alga, e não digeri-la.
Até terça-feira, acreditava-se que a mancha era composta de óleo vegetal possivelmente soja, por causa do odor despejado no mar por algum navio com defeito mecânico. Essa hipótese já está totalmente descartada. Os biólogos começaram a desconfiar que seria produto do metabolismo de algas com a mudança de coloração e forma da mancha.





