Laudo conclui que cadeira tinha defeito
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quinta-feira, 31 de julho de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Marcos NegriniProibido sentarPeritos avaliam cadeira do dentista: defeitos no sistema hidráulico poderiam provocar o afundamento do assento da cadeiraO Instituto de Criminalística de Maringá concluiu que a cadeira odontológica do dentista Antônio Nogueira da Costa não suportaria o peso do metalúrgico aposentado Ronaldo Bertolotti, 42 anos. No mês passado, Bertolotti registrou queixa na polícia alegando maus-tratos no consultório porque, quando procurou atendimento na clínica de Costa, o dentista se recusou a atendê-lo alegando que ele era gordo demais e poderia quebrar a cadeira.
Bertolotti pesa 145 quilos. Ele afirmou que entraria com ação na Justiça contra o dentista por danos morais. O laudo foi assinado pelos peritos Oceano de Oliveira Carvalho e Hélio Marinelli Franco.
Segundo o depoimento de Bertolotti, o dentista lhe disse que somente o atenderia se ele emagrecesse 42 quilos. O delegado do 2º Distrito Policial, Benedito Valério Gonçalves, abriu inquérito para apurar a denúncia do aposentado e requisitou uma perícia da cadeira.
O dentista negou que tivesse maltratado Bertolotti e afirmou que a cadeira que ele mantinha no consultório estava com vazamento de óleo e com os braços quebrados. De acordo com Costa, o peso do aposentado poderia quebrar a cadeira e ainda machucar o cliente.
O laudo pericial confirmou o vazamento de óleo do sistema hidráulico da cadeira, que poderia causar um acidente, como o afundamento do assento. Os peritos também constataram que os encaixes das engrenagens do motor com a bomba hidráulica estão gastos.
A falta de pressão prejudica o sistema hidráulico. Um amortecedor antivibratório que separa o motor das engrenagens também está totalmente comprometido.
De acordo com o delegado Francisco Marcondes, que está presidindo o inquérito, o laudo dos peritos será anexado ao processo. Ele acredita que na semana que vem o inquérito será concluído e transferido para o Fórum de Maringá.
O caso gerou polêmica em Maringá e chegou a ser divulgado nos principais jornais e revistas do País. A publicidade em torno do caso também trouxe problemas para Bertolotti. Fotos e imagens do denunciante chamaram a atenção de credores dele em municípios do interior paulista.
A Polícia Civil de Maringá recebeu telefonemas acusando o aposentado de estelionato e apropriação indébita. A maioria das ligações telefônicas foi feita de Ribeirão Preto (SP), onde Bertolotti teria morado há alguns anos.


