Laudo acusava atitude feminina
Segundo o major Caio Augusto Salgado de Oliveira, da 5ª Região Militar, os documentos do Conselho de Justificação são liberados para consulta, embora ele acredite que seja difícil localizá-los depois de tanto tempo. Passaram-se 44 anos e esses documentos podem ter sido até queimados, diz o oficial. O comandante da 5ª Região Militar, general de divisão Pedro Augusto da Silva Neto, foi procurado pela reportagem da Folha, mas estava viajando em inspeções militares.
O major esclareceu que, em geral, para uma pessoa passar pelo Conselho de Justificação e ir para a reserva é necessário ter um comportamento incompatível com a função militar. Como um mentiroso crônico ou uma pessoa que não se adapta às Forças Armadas e só cria problemas, exemplificou.
Os processos movidos ao longo dos últimos 44 anos pelo tenente reformado Jorge Carlos Sade, para ser reintegrado ao Exército, têm o objetivo de recuperar seus direitos e fazê-lo ascender na hierarquia militar. Todas as ações movidas até agora não conseguiram sucesso por terem perdido os prazos legais.
Desta vez, entre os documentos que instrumentaram a ação está a correspondência do diretor do Serviço Militar ao chefe do gabinete do Ministro do Exército, datada de 2 de dezembro de 1968, encaminhando o laudo do capitão-médico Rubens de Lacerda Manna ao Distrito Federal por ser de defesa da União. Sade diz que nunca passou por tal vistoria.
O texto tem alguns trechos que merecem destaque: Conta que desde essa época percebia que o seu corpo era muito admirado pelos colegas, principalmente quando se encontrava na educação física e nos banhos coletivos; diz que sentia prazer quando os colegas brincavam elogiando o seu corpo e fazendo propostas, mas que nunca cedeu a estas de maneira completa; gestos, atitudes e ademanes feminilóides: óculos escuros vistosos, maneira de andar e falar, blusões de cores berrantes, enfim caracteres e maneiras de efeminado. (G.V.)





