O Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) em Londrina deve autuar por infração gravíssima a empresa Triângulo Alimentos, de Itápolis (SP), fornecedora do óleo de soja da marca Graziela para a merenda escolar de Londrina. Perícia feita ontem em 32 unidades confirmou a suspeita levantada pela prefeitura de que as latas de óleo continham menos quantidade do que a indicada, 900 ml. Segundo o Ipem, as latas estavam com 81 ml, em média, a menos que o indicado. A perícia foi acompanhada pelo auditor da prefeitura Saidi Chaiben e pelo secretário municipal de Educação José Dorival Perez. A empresa fabricante não mandou representante.
Segundo o fiscal metrológico Marcelo Trautwein, a diferença máxima permitida por lei é de apenas 5 ml. ‘‘Causou surpresa. Uma diferença tão grande não é comum. Estamos acostumados a encontrar 6 a 7 ml. Em 15 anos de profissão, é a primeira vez que vejo algo assim’’, afirmou. Das 32 unidades periciadas, descontado o peso da embalagem, a lata com maior volume apresentou 833,6 ml e de menor volume, 789,8 ml.
Segundo Trautwein, a cada nove latas de óleo vendida, o fabricante acabava ganhando uma. De acordo com o fiscal, o Ipem vai autuar a empresa e a multa será definida pelo departamento jurídico. Os valores da multa podem variar entre R$ 200,00 e R$ 750 mil. Para o fiscal, a empresa pode estar há anos envazando o óleo de soja em menor quantidade que o indicado. A marca Graziela, segundo Trautwein, não pode ser encontrado no mercado paranaense. ‘‘Nós pesquisamos em Curitiba, Cascavel, Guarapuava, Maringá e Londrina e não encontramos o óleo à venda’’, disse.
Segundo o auditor Saidi Chaiben, a prefeitura vai exigir que o fabricante reponha a diferença apresentada no lote de 7 mil unidades recebidas no dia 9 de junho. ‘‘O fabricante já repôs parte do lote, de 4.925 latas, que ainda não tinham sido utilizadas’’, disse. O auditor também vai pedir à procuradoria de Justiça do município para que tome as providências legais cabíveis. ‘‘Também vou sugerir que o procuradoria exclua todas as empresas nas quais já foram apuradas irregularidades dos próximos processos de licitação.’’
Segundo Chaiben, todas as irregularidades verificadas na merenda escolar nos últimos dias é consequência da falta de fiscalização por parte da prefeitura. ‘‘Se não há uma auditoria atuante e vigilante, que cumpra o seu papel, qualquer empresa ou pessoa pode lesar o Município’’, afirmou.
A prefeitura espera agora o laudo sobre a qualidade do óleo, que também está sendo periciado em um laboratório de Curitiba. O laudo deve ficar pronto na sexta-feira.

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