Larvas apreendidas eram de inseto comum
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2001
Andréa Lombardo e Érika Wandembruck De Curitiba 
A Secretaria Estadual de Saúde divulgou, ontem, que os exames feitos em mais de mil larvas que, supostamente, seriam do mosquito Aedes aegypti (transmissor da dengue) comprovaram que as larvas são do Aedes fluviatilis, tipo comum de mosquito, que não transmite qualquer doença. As larvas tinham sido apreendidas pelo delegado de Fazenda Rio Grande, José Carlos de Oliveira, que abriu inquérito contra os funcionários da Secretaria de Saúde de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) Sistane Ferreira da Silva, Valdir Saad, Paulo Roberto dos Santos e Izaac Subtil de Oliveira, indiciados por suspeita de proliferação de doença contagiosa.
A Delegacia de São José dos Pinhais assumiu o caso, mas ainda não informou se vai ou não arquivar o inquérito. Segundo o superintendente, Sérgio Ribeiro, o delegado de São José dos Pinhais, José Roberto Jordão, só deverá se pronunciar na semana que vem, depois do feriado. A Folha apurou, ontem pela manhã, que o inquérito administrativo aberto pela prefeitura não será arquivado. Os acusados continuam afastados dos seus cargos. O mesmo não vale para o inquérito policial, que pode ser encerrado por falta de provas.
De acordo com o delegado José Carlos de Oliveira, que colheu o depoimento dos acusados, o cheque de R$ 200,00 usado pelo grupo para o pagamento da fiança não tinha fundos. Os funcionários foram presos depois de uma denúncia feita pela prefeitura. Eles estavam em um Gol oficial, do qual não tinham autorização de uso. Em depoimento, disseram que foram buscar as larvas em um cemitério de Mafra (SC) para realizar estudos sobre a dengue. Após o pagamento de fiança, no valor R$ 50,00 por pessoa, eles foram liberados.
O representante da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Jurandir Girardi, informou que os frascos para o transporte de larvas devem conter álcool para que elas morram no momento em que são capturadas. Contudo, este procedimento não foi adotado pelos funcionários, disse. Segundo o supervisor de Endemias da 2ª Regional de Saúde, Ovídio Tomadon, não se transportam larvas vivas e qualquer vetor a ser transportado tem que ter documentação.
A reportagem da Folha tentou contato com os funcionários ontem, mas a Prefeitura de São José não quis repassar informações. A assessoria de imprensa alegou que seria uma invasão de privacidade dos funcionários. Para o prefeito Luiz Carlos Setim (PFL), mesmo que os acusados tivessem a intenção de capturar as larvas para estudos, como alegaram ao depor, os mesmos não agiram corretamente porque não avisaram a prefeitura sobre o trabalho.
Na opinião do delegado Oliveira, que apurou o caso, os acusados tinham a intenção de propagar a doença no município para receber recursos do governo federal. O caso ainda é cercado de mistério. Desde 1999 o repasse de verbas não é feito conforme a incidência da doença. O valor é destinado mensalmente aos municípios para o combate de doenças epidemiológicas de acordo com o número de habitantes e extensão territorial dos municípios.


