Pelo menos duas instituições que atendem menores na Cidade trabalham dentro do sistema de ‘‘casas-lar’’. O Lar Anália Franco é pioneiro na região, mantendo casas-lar há 20 anos. ‘‘Sempre achei um absurdo as crianças amontoadas em um orfanato. Por isto, desde o início, busquei uma alternativa para oferecer a elas uma vida digna’’, conta o presidente do Lar Anália Franco, Pedro Cândido Romero.
Ele encontrou a solução para o que vinha procurando em Salvador - Bahia - onde uma instituição já trabalhava dentro do sistema. ‘‘É claro que foi preciso fazer adaptações, mas não há sistema melhor. As crianças têm seu espaço e mantém um ritmo de vida próximo ao de uma criança com uma família’’, garante Romero.
Nestes 20 anos de trabalho, diz, viu muita gente crescer, trabalhar e se casar. Na sua opinião, esta é uma prova de que saíram da instituição maduros para enfrentar o mundo. Ao todo o Lar Anália Franco mantém hoje sete casas-lar. Uma delas funciona como casa de apoio para receber crianças encaminhadas à noite pelo Conselho Tutelar e Fórum. A instituição atende 360 crianças - 62 nas casas-lar e as demais no semi-internato e creche.
O Núcleo Social Evangélico de Londrina (Nuselon) mantém casas-lar há 11 anos. ‘‘Desde que iniciamos o trabalho com crianças já implantamos o sistema’’, afirma a psicóloga Télcia Lamônica de Azevedo, que presta serviço voluntário no Nuselon. Defensora do sistema, ela argumenta que, nas casas-lar, as crianças são indivíduos e se sentem em suas próprias casas. ‘‘Elas têm a liberdade de abrir uma geladeira, ligar uma televisão. Têm suas camas e suas roupas’’, exemplifica. Atualmente, o Nuselon tem três casas-lar, com cerca de 10 crianças cada.
A seleção dos laristas é exigente e leva em consideração a motivação e disponibilidade de ‘‘se doar’’ para as crianças. ‘‘Não é um emprego qualquer. Tem de ser uma opção de vida porque o trabalho não é fácil e exige que a pessoa ame as crianças’’, afirma. Em duas das casas-lar da instituição, os cuidados e acompanhamento são prestados por mulheres solteiras - uma está há cinco anos e outra há oito anos.
(Célia Baroni)

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