Perder ou ter os documentos furtados pode significar mais do que o incômodo de requerer segundas vias. A dor de cabeça pode levar à consequências legais, como enfrenta o pintor Antônio Aparecido da Silva, 30 anos, residente no Jardim Acapulco, zona sul de Londrina. O pintor perdeu seus documentos há cerca de três anos e, desde de dezembro do ano passado, está tendo que provar judicialmente que não é dono de seis empresas no Estado de São Paulo, abertas com seu número de Cadastro de Pessoa Física (CPF) e sobre as quais teria inteira responsabilidade cível e criminal.
O drama de Antônio da Silva, que parecia quase resolvido com o pedido de prisão preventiva de um advogado paulista, ressurgiu na semana passada. O Ministério Público (MP) da cidade de São Paulo avisou o advogado do pintor, Rogério Resina Molez, que foram descobertas outras 13 empresas, nas quais o londrinense aparece como acionista majoritário e sócio-gerente, todas de grande porte e localizadas na capital paulista. ‘‘Isso foi uma surpresa para todos, mas não é impossível que apareçam outras mais’’, disse o advogado.
O profissional não quis divulgar quais seriam as empresas e os ramos em que atuam. Segundo ele, isto atrapalharia a investigação. ‘‘Ainda temos que fazer a notificação oficial para o MP paulista’’, explicou. Segundo ele, o MP de São Paulo estaria investigando estas empresas há algum tempo.
Segundo Molez, o processo inicial já estava quase concluído. ‘‘Já tinham sido ouvidas 10 pessoas envolvidas e a prisão preventiva do advogado Amilton Alves Teixeira já tinha sido pedida. Ele está foragido’’, disse. Amilton Teixeira era o advogado que assinava os contratos sociais da Indústria de Doces Labor Ltda, de Mirandópolis; Santo Expedito Churrascaria e Pizzaria Ltda (cujo nome fantasia é Churrascaria Taberna Gaúcha), de Ourinhos; e das empresas Duquecell Telefonia Celular e Informática Ltda, Ourinhos Brasil Comércio e Representações Ltda., Transworld Empreendimentos e Participações Ltda, e Itaipu Brasil Comércio e Representações Ltda, todas de Bauru. As três últimas seriam empresas ‘‘fantasmas’’, funcionando no mesmo endereço. Amilton Teixeira também seria o responsável pelos contratos das novas empresas, que trariam as mesmas cláusulas apontando Antônio Aparecido da Silva como único responsável.
‘‘As empresas de Bauru fecharam, mas a de Ourinhos e Mirandópolis continuam em atividade’’, disse Molez. E, segundo ele, foi a fábrica de doces que trouxe mais uma dor de cabeça para seu cliente. ‘‘O advogado do Banespa (Banco do Estado de São Paulo) de Mirandópolis nos ligou e disse que a indústria de doces havia feito um empréstimo no banco no valor de R$ 200 mil e, segundo ele, o avalista seria o Antônio’’, contou. Molez também foi informado que haveria ainda um outro empréstimo feito junto ao Banco do Brasil. ‘‘Mas ainda não confirmei este segundo’’, disse.
O advogado não descarta a possibilidade de uma quadrilha utilizar as 19 empresas já descobertas para lavagem de dinheiro. ‘‘Mas a nossa principal suspeita é a de um esquema em que o advogado procurava empresas que passavam por crises financeiras para oferecer um ‘‘laranja’’, disse.
Rogério Molez explicou que vai ter que esperar todas a investigações terminarem e os culpados serem nominados para entrar com ação de responsabalidade cívil e danos morais a favor de seu cliente. O pintor só descobriu que servia de ‘‘laranja’’ no final do ano passado, após receber uma notificação da Receita Federal para que regularizasse sua declaração de imposto de renda pessoa física. Antônio Aparecido da Silva ganha cerca de R$ 450,00 por mês.

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