'Laranja' estava preso quando empresa exportadora foi aberta
Laranja estava preso quando
empresa exportadora foi aberta
Ney de SouzaValdir Wazlawiqk é apontado como sócio, juntamente com a mulher, de uma empresa que deve R$ 2,5 milLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha
Desde o final de março, o pedreiro Valdir Ademir Wazlawiqk, 39 anos, e sua esposa, Eni Silva Wazlawick, 41, não conseguem ter um sono tranquilo. A descoberta de uma dívida de R$ 2.500,00 não-contraída, a ameaça de confisco judicial de uma linha telefônica e a possibilidade de ter seus nomes sujos na praça provocaram indignação no casal de catarinenses residentes em Foz do Iguaçu que, juntos, ganham R$ 450,00 por mês.
O pedreiro se prepara para lutar contra o destino e a Justiça e provar sua inocência pela segunda vez em menos de 10 anos. Em 1990, teve seu nome envolvido com uma quadrilha de assaltantes e cumpriu dois anos de pena em regime semi-aberto. Sabia quem eram os verdadeiros culpados mas não falei porque tive medo. Prenderam um inocente, afirma Wazlawiqk.
Possíveis sócios de uma empresa fantasma, a Rede Exportadora de Produtos Manufaturados LTDA, o casal de laranjas não sabe explicar como foi envolvido no golpe.
Folha Como o senhor pretende provar que é inocente?
Valdir WazlawiqkNunca assinei papel nenhum e estava cumprindo pena quando foi aberta a empresa. Espero que a perícia confirme que as assinaturas não são minhas. Assim eu poderei provar para Justiça que sou inocente.
FolhaExiste alguma explicação para que os golpistas tenham escolhido o senhor e sua esposa como vítimas?
WazlawiqkAlgum funcionário de alguma loja onde temos crediário pode estar envolvido. Ou então aproveitaram quando minha mulher perdeu a carteira de identidade dela no centro da cidade.
FolhaComo está a situação financeira de sua família?
WazlawiqkMeu salário de R$ 450,00 sustenta minha esposa, que é dona de casa e uma filha adolescente (Rosângela, 12 anos). Tenho duas prestações da compra de um terreno atrasadas e tive que mudar minha filha para uma escola próxima de casa porque não tinha dinheiro para comprar passe escolar.





