''Laranja'' é executado pela Receita
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de maio de 2000
Vânia Moreira De Umuarama 
O vendedor Geraldo Donizete da Fonseca, 40 anos, de Apucarana, descobriu semana passada que é sócio de uma empresa falida em Umuarama e que deve R$ 400 mil à Receita Federal. Fonseca foi usado como laranja por uma distribuidora de lubrificantes Jaguar, cuja falência foi decretada em 99 e que está sendo executada pela Receita Federal por sonegação de impostos.
O vendedor só descobriu a fraude porque recebeu esta semana em seu endereço uma intimação de penhora de sua casa. Desesperado, ele esteve ontem em Umuarama e procurou o juiz Jair Botura, da 2ª Vara Cível, que decretou a falência da Jaguar. Fonseca terá de contratar um advogado para provar a fraude e excluir seu nome do processo.
Fonseca mora em Apucarana desde 1984 e disse que mal conhece Umuarama. Ele disse que não tem a menor idéia de como conseguiram seu nome e documentos para forjar a sociedade. Ele entrou de sócio na Jaguar numa alteração de contrato feita em 1995.
Pela alteração, Carlos e José Guinemi transferiram a sociedade para Fonseca e outra pessoa chamada Welinton Belo da Silva. Welinton seria uma criança, parente de Jorge Mariano da Silva, que também figurou como sócio da empresa e que morreu num acidente de carro. No contrato, Fonseca consta como sendo casado (ele é solteiro) e morador em Umuarama. A assinatura dele no contrato foi falsificada.
O vendedor recebeu a primeira intimação do Fórum de Umuarama em outubro do ano passado. O despacho determinava que a dívida, de R$ 409,3 mil, fosse paga em 5 cinco dias ou que ele oferecesse bens para penhora. Na época, ele estava viajando para Santa Catarina e não pôde se informar do que se tratava. Achei que fosse um engano, disse.
Em outra intimação, recebida semana passada, a Receita pede a penhora da casa dele, em Apucarana. Fonseca garante que não tem outros bens, apenas a casa onde mora e pela lei, o imóvel usado para moradia é um bem impenhorável para garantir dívidas. Ele afirma que não tem condições de pagar advogado e pediu ao juiz um defensor público.
O juiz Jair Botura disse que ontem que vai analisar o processo de falência, mas caberá a Fonseca ingressar na ação para provar a fraude e pedir a exclusão de seu nome. Segundo Botura, a própria Justiça ou qualquer um dos credores poderá pedir a abertura de inquérito policial para apurar a fraude e descobrir os responsáveis.


