Laranja corre risco de vida em ponte
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quinta-feira, 19 de junho de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaOperação arriscadaLaranja pega uma caixa com pacotes de cigarro que foi jogada nas águas do Rio Paraná... Os laranjas (pessoas que atravessam a Ponte da Amizade, entre Brasil e Paraguai, com mercadorias contrabandeadas) estão correndo risco de vida. Eles driblam a fiscalização da Receita Federal, que fica na aduana brasileira, e jogam as mercadorias contrabandeadas no Rio Paraná. Sob a ponte, dezenas de laranjas ficam à espera das mercadorias. Neste mês, três pessoas quase se afogaram e foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros.
Em dezembro do 1995, a Receita Federal e a Polícia Federal instalaram grades de proteção nas laterais da Ponte da Amizade para coibir, principalmente, a atuação dos cigarreiros (gíria usada entre os sacoleiros e contrabandistas para denominar quem atravessa a fronteira com cigarro contrabandeado).
Essa medida, segundo o chefe de Serviços Aduaneiros da Receita Federal, Rubens Alberto Fioguthi, não os intimidou. Agora, eles jogam as mercadorias do meio da ponte, onde não há grades de proteção. Cada cigarreiro consegue passar até cinco caixas do produto todos os dias usando o Rio Paraná.
Na manhã de anteontem, a Folha flagrou dezenas de contrabandistas jogando fardos de cigarro do alto da Ponte da Amizade. Na tarde do mesmo dia, 26 laranjas estavam sob ponte, nas margens do rio, à espera de fardos de cigarro.
Aqui, todo mundo está desemprego e consegue um jeito de ganhar algum dinheiro. Se vocês fotografarem, suja a nossa área, disse Osvaldo Miranda Rocha, um dos cigarreiros.
Flagrante...Depois, carrega a mercadoria para um ônibus de compristas que o aguarda próximo à aduana
Rocha estava embaixo de chuva e enfrentava um frio de quase 8 graus usando apenas uma sunga e um colete salva-vidas. Eu não sei nadar muito bem. Por isso, uso colete, revelou.
O subcomandante do Corpo de Bombeiros de Foz do Iguaçu, Marco Antônio Janke, disse que os acidentes envolvendo cigarreiros começam a se tornar comuns e vêm preocupando a corporação. Neste mês, os bombeiros evitaram três mortes.
O piloto do Iate Clube Cataratas, Valdir Borges, que circula diariamente pelo Rio Paraná, diz que já tentou salvar vários cigarreiros. Uma ocasião, um rapaz foi levado pela correnteza e não conseguiu voltar para as margens. Tentei salvá-lo, mas ele se negou. Ficou grudado no fardo de cigarro e desceu correnteza abaixo, conta.
Segundo os laranjas, para que o cigarro chegue intacto e seco até os sacoleiros (receptadores da mercadoria), eles embrulham as caixas em sacos plásticos e os vedam com fita adesiva. O peso do cigarro, segundo eles, não é suficiente para afundar na água.


