CAMPO MOURÃO - ‘‘A Polícia Militar está com as vísceras expostas, os corvos querem nos devorar vivos e isso dói’’. A declaração foi feita ontem pelo comandante geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Luiz Fernando de Lara, durante inauguração da nova sede do 11º Batalhão da PM de Campo Mourão. O discurso foi um verdadeiro desabafo contra a grande repercussão - inclusive internacional - que tiveram os casos de violência policial em Diadema (SP) e no Rio de Janeiro.
‘‘Quando essa ferida começar a cicatrizar, ainda restará muito pus’’, frisou o coronel em outro trecho do discurso. ‘‘Vamos precisar de um dreno e são vocês que terão que nos ajudar’’. O aniversário do Batalhão e a ativação da nova sede, após sete anos de obras, ficaram em segundo plano. Tiveram apenas a leitura de um histórico.
Antes de Lara, o comandante do Batalhão, major Sidney Edson Mella, também dedicou boa parte de sua fala à repercussão da violência da PM. ‘‘Os casos isolados de violência policial não refletem o comportamento geral da Polícia Militar’’, destacou. ‘‘Não podemos desmoronar diante dos fatos atuais que a mídia constantemente acena em direção às polícias militares, afirmando que não entendemos de cidadania e estado de direito’’. Lara também criticou o comportamento da mídia.
‘‘Critiquem os erros, mas enalteçam os acertos, que, com certeza, são maiores’’, frisou o coronel. Segundo ele, a violência mostrada pela TV não condiz com ‘‘99,9%’’ dos 17 mil policiais militares do Paraná. Por fim, chamou as pessoas que participavam da solenidade de ‘‘guardiões da sociedade’’ e pediu para que denunciassem os eventuais erros e abusos da corporação. ‘‘Precisamos que vocês não tenham medo da polícia militar. Ela não é nenhum bicho-papão’’.

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