O coronel Luiz Fernando de Lara, ex-comandante da Polícia Militar do Paraná, declarou ontem, durante depoimento prestado na Vara de Auditoria Militar, em Curitiba, que foi vítima de interesses políticos patrocinados por quatro coronéis e com o apoio do deputado Aníbal Khury, na época presidente da Assembléia Legislativa. Lara é acusado de peculato (apropriação irregular de recursos públicos), improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.
As denúncias estão fundamentadas na transação realizada em abril de 1999 sobre a compra de um lote de 17 mil jaquetas importadas da Coréia do Sul, por um valor total de R$ 1,6 milhão. Deste montante, R$ 350 mil foram adiantados para a empresa PowerBrands Comércio de Exportação e Importação Ltda., de propriedade do empresário George Pantazis. Outros R$ 130 mil foram encaminhados no dia primeiro de julho para que a empresa pagasse as despesas com frete marítimo, seguro e nacionalização. Mas foram devolvidos no dia 21 do mesmo mês, com valores corrigidos, o que segundo a denúncia caracterizaria um empréstimo pessoal.
Tudo teria começado em julho, quando o então comandante teria resolvido fazer uma modificação nos comandos de Policiamento do Interior (cujo comandante era o coronel Walter Cardoso de Aguiar) e do Policiamento da Capital (coronel Justino Sampaio Filho). O coronel Justino Sampaio tinha ligações fortes com o deputado estadual Aníbal Khury e teria levado a situação para o parlamentar. ‘‘Fui chamado pelo deputado e ele disse que eu estava retaliando seus amigos. Avisou que ou eu mudava de postura ou ele tomaria medidas para me tirar do cargo’’, argumentou. ‘‘Infelizmente eu voltei atrás e me arrependo amargamente por isso. Mantive os dois coronéis e comecei a viver meu inferno astral.’’
Além dos dois comandantes, foram citados por Lara os coronéis Honório Olavo Bortolini e Ivo Matkowski. Todos eles, com exceção do coronel Aguiar, teriam assinado a ata que deliberou pela compra das jaquetas importadas da Coréia do Sul. ‘‘Não acredito que eles tivessem assinado algo sem ler. Eles não são ignorantes, nem analfabetos’’, salientou.
O coronel atribuiu também ao grupo, que teria ficado fortalecido com o apoio de Khury, outras denúncias que foram veiculadas pela imprensa como a divulgação de fitas de vídeo com a agressão a integrantes do MST e a suposta ligação entre o estelionatário Joni Rodrigues (que vendia carros para policiais militares) e seu filho – que trabalha com seguro de veículos.
Lara afirmou que a compra das jaquetas foi a quarta realizada no período. Destas, apenas uma teria sido feita com licitação e a vencedora foi a própria Power Brands. Numa delas, houve um adiantamento de R$ 100 mil que não teria sido questionado pelos coronéis. Para Lara, a prova de que a compra foi regular é o fato de quatro mil jaquetas já estarem no Paraná prontas para serem usadas.

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